28 de fevereiro de 2016

Com braço quebrado, indígena de 12 anos espera atendimento há 3 meses

Garoto quebrou o antebraço direito em novembro de 2015 e até agora não foi levado ao Hospital em Aquidauana (Foto: Direto das Ruas)
Caroline Maldonado, em Campo Grande News

Com o antebraço direito quebrado, um garoto indígena de 12 anos espera há três meses por atendimento. O menino, da etnia Kadiwéu, vive na Aldeia Alves de Barros, em Bodoquena, a 270 quilômetros de Campo Grande. Ele conseguiu vaga no Hospital de Aquidauana, mas o transporte depende de um departamento especial de saúde indígena.
A informação que a família recebeu é de que uma equipe foi buscar o garoto, mas ele não estava lá, três dias depois da queda, no dia 16 de novembro. Ocorre que a família afirma não ter saído da comunidade e não ter visto nenhum veículo da Sesai (Secretária Especial de Saúde Indígena) por lá, naqueles dias. Com o tempo, o osso do antebraço do garoto está calcificando torto e ele conta apenas com medicação oferecida pelo posto da aldeia. 
Campo Grande News tentou contato, via telefone, com o coordenador do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena), Hilário da Silva, mas as ligações não foram atendidas. Outro funcionário da coordenação da Saúde Indígena no Estado, que preferiu não se identificar, disse que as informações só podem ser passadas à imprensa por meio da assessoria, em Brasília. Como se trata de fim de semana, a reportagem não conseguiu contato com a assessoria da Sesai.
Outro caso - No dia 6 de janeiro, um menino de pouco mais de um ano de idade morreu em acampamento indígena na região de Coronel Sapucaia, a 400 quilômetros da Capital. Consta no boletim de ocorrência que a Funai (Fundação Nacional do Índio) solicitou socorro ao órgão de saúde indígena, mas a ambulância não foi até o local e depois de algum tempo, Jadisom Batista Lopes morreu, no acampamento Kurussu Amba. 
Na ocasião, a coordenação da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) confirmou que não houve atendimento, porém justificou que más condições da estrada que dá acesso ao acampamento impediram que os socorristas chegassem ao local.
Direto das Ruas - As informações sobre o garoto Kadiwéu foram enviadas à redação do Campo Grande News via WhatsApp, pelo canal Direto das Ruas. Pelo número (67) 9687-7598 ou então pelo e-mail redacao@news.com.br, podem ser enviados flagrantes, sugestões de matérias, notícias, fotos, áudios e vídeos.

Estado brasileiro responderá, amanhã, na OEA, sobre massacre de indígenas em seus territórios




O Estado brasileiro terá que responder publicamente sobre o massacre de indígenas durante audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA). Além de se manifestar sobre as violações aos direitos dos povos indígenas, o Brasil também terá que se explicar sobre o descaso no reassentamento dos 1.100 moradores de Piquiá de Baixo, em Açailândia (MA), que há 25 anos lutam para evitar a contaminação causada por usinas siderúrgicas, que integram a cadeia de mineração, comandada pela mega empresa Vale em seu território. A audiência ocorrerá nesta terça-feira, dia 20, em Washington, nos Estados Unidos, às 12h15 (horário de Brasília).

No caso dos indígenas, as organizações da sociedade civil mostrarão como o Estado é conivente com a morte desses povos. Apenas em 2014, o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), registrou 138 assassinatos e 135 casos de suicídios. Mais uma vez, o Mato Grosso do Sul foi destaque, em ambas estatísticas: foram 41 assassinatos e 48 suicídios. O alto índice de mortalidade na infância também é preocupante. Dados deste mesmo ano da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) apontam um total de 785 mortes de crianças entre 0 e 5 anos. Em Altamira, no Pará, município atingido pelas obras da hidrelétrica de Belo Monte, a taxa de mortalidade na infância chegou a 141,84 por mil.

O Cimi também registrou, no ano passado, 118 casos de omissão e morosidade na regulamentação de terras indígenas. No Pará, estado com o maior número de casos, o não reconhecimento destas terras tradicionais está diretamente ligado às intenções do governo federal em construir grandes hidrelétricas, como é o caso da usina São Luiz do Tapajós.

Outros elementos da ofensiva aos direitos indígenas também aparecem na atuação do Judiciário, como nas recentes decisões da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulam atos administrativos, do Poder Executivo, de demarcação das terras indígenas Guyrarokpá, do povo Guarani-Kaiowá, e Limão Verde, dos Terena, no Mato Grosso do Sul, e Porquinhos, do povos Canela-Apãniekra, no Maranhão.

O Legislativo, por sua vez, avança sobre os direitos indígenas com projetos como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00, que transfere do Executivo para o Legislativo a prerrogativa de demarcar terras indígenas, titular territórios quilombolas e criar unidades de conservação ambiental, submetendo decisões técnico-administrativas a disputas políticas e interesses econômicos. O Projeto de Lei 1610/96, que permite a exploração mineral em terras indígenas, é outro exemplo de proposta que ofende os direitos constitucionais dos povos indígenas  

Impactos do trem na porta de casa

As mais de 300 famílias de Piquiá de Baixo lutam para conseguir reassentamento em um novo local, longe das indústrias siderúrgicas, que chegaram ao bairro há 25 anos, contaminando água, ar e solo. As enfermidades mais recorrentes estão associadas a problemas respiratórios, oftalmológicos e de pele que, inclusive, têm causado a morte de muitas pessoas, especialmente crianças e idosos. Além disso, o depósito da escória (rejeitos) da siderurgia a poucos metros das residências vem causando acidentes em Piquiá, inclusive fatais.

Além do impacto da siderurgia, os moradores também convivem com os problemas de contaminação causados pelo entreposto de minérios da Vale ao lado do bairro, assim como os provenientes da Estrada de Ferro Carajás (EFC) - também controlada pela empresa - que passa a poucos metros das residências. Atualmente, os moradores já conquistaram na Justiça o direito de serem reassentados. Todavia, é essencial que o Estado deixe de postergar a seleção e a contratação do projeto de mudança dos moradores, entre outras ações.

Em Açailândia, a audiência da OEA será transmitida ao vivo na Câmara de Vereadores. A concentração será a partir das 10h.

Para a advogada Raphaela Lopes, da organização Justiça Global, a audiência será um importante momento para visibilizar as violências que o Estado brasileiro, muitas vezes em associação com entes privados, tem cometido contra o direito à terra e ao território de grupos indígenas e comunidades. "A paralisação nos processos demarcatórios de terras indígenas é um elemento crucial na perpetração de ofensas contra a vida e integridade física e psicológica de povos indígenas. Já a comunidade de Piquiá de Baixo sofre há muitos anos com a poluição provocada por empresas siderúrgicas em seu território, que se instalaram depois que a comunidade já estava lá. Estes são apenas dois exemplos do sacrifício de direitos de comunidades inteiras em prol de um projeto de desenvolvimento que viola direitos. O Estado brasileiro precisa ser responsabilizado".

O pedido da audiência foi feito pelas organizações: Associação Comunitária dos Moradores do Pequiá (ACMP), Associação Juízes para a Democracia (AJD), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Rede de Ação e Informação “Alimentação Primeiro (Fian), Federación Internacional de Derechos Humanos(FIDH), International Alliance of Inhabitants (IAI), Justiça Global, Justiça nos Trilhos, Plataforma Dhesca e Vivat International. A participação do Cimi contou com apoio da União Europeia.

A audiência poderá ser acompanhada ao vivo às 12h15 (horário de Brasília) por meio do site da CIDH http://original.livestream.com/OASLive



Mais informações, com assessorias de imprensa:

Glaucia Marinho ou Daniela Fichino (Justiça Global) -  21 2544-2320 

Patrícia Bonilha (CIMI) - 61 9979-7059

Larissa Santos (Justiça nos Trilhos) – 99 9205-4411

Foto: Arquivo Cimi

Caciques do povo Terena de Miranda (MS) repudiam convocação de “falso cacique” para oitiva na CPI contra o Conselho Indigenista Missionário.

Caciques alegam falta de respeito e exigem que sejam consultados e respeitados pelos órgãos competentes.


Com o retorno das atividades da CPI do CIMI na Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, após a recente decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, a Presidente da CPI, a Deputada ruralista Mara Caseiro (PMB), convocou o indígena Terena Fábio Lemes para ser ouvido na sessão do dia 24 de fevereiro de 2016.
O referido indígena foi descrito pela CPI como sendo o Cacique da Aldeia Argola, localizada na Terra Indígena Cachoeirinha, município de Miranda, MS. Para esta oitiva, foi determinado pela Presidente Mara Caseiro, que a sessão ocorresse em sigilo, pois o indígena alegou que estava sendo ameaçado.
Após a notícia da convocação do indígena, 08 (oito) Caciques do povo Terena das Aldeias localizadas no município de Miranda produziram documento assinado, repudiando a convocação do indígena Fabio Lemes, afirmando que o mesmo não é o Cacique legítimo da Aldeia Argola, e sim o Terena Edson Candelário. Segundo os Caciques Terena o comportamento do Sr. Fabio configura-se como uma ”falta de respeito (…), por se passar de Cacique, sendo que ele não faz parte da liderança local”.
O documento produzido pelos Terena foi recebido em 25/02/2016 pelo Chefe de Gabinete da Deputada Mara Caseiro, Sr. Clóvis Aparecido Motta, e as lideranças aguardam um posicionamento da parlamentar.
Em relação à CPI do CIMI, diversas organizações dos movimentos sociais e indígenas de MS, além de outras regiões do Brasil e do mundo, já manifestaram publicamente seu repúdio e indignação pela sua instalação, pois entendem que a mesma tem sua natureza totalmente parcial e maculada pelos interesses políticos e pessoais de vários parlamentares, aliados da classe ruralista, especialmente dos deputados ruralistas Mara Caseiro e Paulo Correa, e trata-se de mais uma tentativa de criminalizar não só o CIMI, mas a todos e todas que se colocam na defesa dos direitos históricos e constitucionais dos povos indígenas e dos mais pobres.
Segue abaixo o texto do documento elaborado pelos Caciques Terena de Miranda-MS:
Miranda-MS, 24/02/16.
Ao CPI DO CIMI.
Senhor(a)
Encaminho a Vossa Senhoria os nomes dos Caciques legítimos do município de Miranda-MS da aldeia (Cachoeirinha, Argola, Moreira, Passarinho, Babaçu, Lalima, Morrinho, Lagoinha e Mãe Terra ) devidamente assinados. Repudiamos a atitude do Senhor Fábio Lemes que se alto declara cacique da aldeia Argola, sendo que o legitimo cacique e o senhor Edson Candelário eleito pela comunidade citada no ano de 2014. Nos cacique somos representante legal, legitimo reconhecido pela nossa comunidade como porta-voz dela, diante desse fato do depoimento no CPI DO CIMI desse cidadão não aceitamos esse comportamento e a falta de respeito, principalmente por se passar de Cacique, sendo que, ele não faz parte da liderança local. Portanto exigimos que sejamos consultados e respeitados pelos órgãos competentes. Em anexo encaminho os nomes dos caciques legítimos. Na oportunidade aproveito meu apreço e sinceros agradecimentos. Respeitosamente,
Cacique Marcos de Arruda, Aldeia Cachoeirinha.
Cacique Edson Candelário, Aldeia Argola.
Cacique João da Silva, Aldeia Lalima.
Cacique Olicio da Silva, Aldeia Moreira.
Cacique Antonio Marcos da Silva, Aldeia Passarinho.
Cacique Joãozinho Felipe, Aldeia Lagoinha.
Cacique Milton Raimundo, Aldeia Morrinho.
Cacique Zacarias Rodrigues, Aldeia Mãe Terra.

27 de fevereiro de 2016

Lindomar Terena fala sobre o processo de retomada (MS)

Em esclarecedora entrevista concedida à reportagem do lnstituto de Estudos Latino-Americanos (Iela-UFSC),  o líder Terena explica o processo de retomada dos territórios indígenas. Confira, a seguir: 

21 de fevereiro de 2016

Ministro Ricardo Lewandowski suspende despejo que ia acontecer amanhã no tekoha Tajasu Iguá, em Douradina (MS)

Imagem printada _ ver vídeo AQUI.



A coordenação regional da Funai de Dourados (MS) informa que o Supremo Tribunal Federal (STF) acatou hoje o pedido de suspensão de liminar de reintegração de posse contra a comunidade Guarani Kaiowá de Tajasu Iguá, em Douradina. A decisão é do ministro Ricardo Lewandowski. 

Leia Mais

> Guarani Kaiowá: PM esteve em aldeia com despejo marcado




19 de fevereiro de 2016

Indígenas de 27 etnias do AM ocupam sede da Seduc

“Reivindicamos melhorias para os estudantes indígenas. Nossas crianças estudam debaixo das árvores”, Gersoem Baniwa


Manaus – Indígenas de 27 etnias do Amazonas ocuparam, na manhã desta quinta-feira (18), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), no bairro Japiim, zona sul. O grupo, de aproximadamente 800 pessoas, segundo os organizadores, se reuniu por volta das 7h no Centro de Convivência do Povos da Amazônia e depois se dirigiu a Secretaria de Produção e Abastecimento Rural, em marcha.
De acordo com um dos responsáveis pela 1ª Marcha Pela Educação Escolar Indígena, Gersoem Baniwa, o grupo pede melhorias para a educação. “Reivindicamos melhorias para os estudantes indígenas. Nossas crianças estudam debaixo das árvores”, explicou.
Entre as revindicações do grupo estão melhor qualidade da Educação Escolar Indígena; encaminhamento de material didático; formação dos professores, conselheiros, agentes indígenas de saúde; uso das línguas indígenas como língua de instrução; reconhecimento dos calendários, currículos diferenciados.
O representante afirmou que o grupo ficará na sede da secretária até serem recebidos pelo secretário da Seduc, Rossieli Soares . “Tínhamos uma reunião marcada com o secretário, mas ele viajou, o que é muito sério. Por isso, vamos ficar aqui até que eles nos receba. Mas vamos deixar os servidores trabalharem. Estamos pedindo apoio na alimentação para todos”, disse.
Estão presentes representantes índios das etnias Baniwa, Sataré, Muduruku, Tucano, Tikuna, Baré, Miranhã, Madija, Macunadebe, entre outros.


Seduc
A secretária em exercício da Seduc, Calina Hagge, explicou que, durante a manhã, foi realizada uma reunião com 10 representantes do grupo. “Recebemos a comissão e protocolamos todas as revindicações. A maioria dessas são pautas nossas, que pretendemos cumprir. Vamos discutir o que podemos melhorar”, contou.
Sobre a ausência do secretário, Calina comentou que é direito do grupo solicitar a presença do representante. “É o direito deles, essa escolha por conversar com o titular da pasta, mas ele está viajando e deve chegar no final da tarde. Está em uma agenda do Ministério da Educação”, afirmou, acrescentando que a secretaria está com todas as atividades sendo realizadas normalmente.
Ufam
Dois ônibus com 30 manifestantes foram para a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde continuarão a 1ª Marcha Pela Educação Escolar Indígena.

18 de fevereiro de 2016

Guarani Kaiowá: polícia anuncia despejo para segunda-feira (vídeo)

Ao menos 23 famílias Guarani Kaiowá do tekoha - lugar onde se é - Tajasu Iguá, em Douradina (MS), estão ameaçadas de serem despejadas na próxima segunda-feira, 22. Uma decisão judicial da 1ª Vara da Justiça Federal de Dourados (MS) concedeu reintegração de posse à empresa Agropecuária Helena Hossri, que reivindica a área das fazendas Coqueiro e Santa Helena, incidentes sobre a terra indígena. Os Kaiowá afirmam que não irão cumprir a ordem e resistirão à ação policial.

Conforme os autos do processo, na decisão, o juiz requisitou ao governador do Mato Grosso do Sul o efetivo da Polícia Militar, “para que, em conjunto com a Delegacia de Polícia Federal local - ou mesmo sem esta, se recursar-se a fazê-lo - dê cumprimento à decisão”.
Retomada
Em julho de 2015, um grupo de famílias Kaiowá retomaram 75 hectares do tekoha Tajasu Iguá. Após a ocupação, os indígenas sofreram um ataque violento de pistoleiros, mas conseguiram permanecer na área.

A área retomada é parte da Terra Indígena Lagoa Rica/Panambi, já identificada, delimitada ereconhecida pelo estado brasileiro em 2011. Após a publicação do relatório, a demarcação ficou suspensa por três anos, em função de uma disputa judicial instaurada pelo Sindicato Rural de Itaporã. Em 2014, o Tribunal Regional Federal, 3ª Região (TRF-3) determinou que os procedimentos demarcatórios deveriam ser retomados, cancelando a suspensão. Totalizando 12,1 mil hectares, a homologação, contudo, nunca foi concluída, e os indígenas ocupam menos de 350 hectares da área total.
Tajasu Iguá é o terceiro acampamento em Lagoa Rica/Panambi. Em 2008, duas outras retomadas foram realizadas: Guyra Kambi'y - atacado por pistoleiros em setembro de 2015 - e Itay. Ambas permanecem no local.
Justiça e arrendatários
Em reunião entre polícia, indígenas, Funai e a assessoria jurídica do fazendeiro, no dia 16, a Polícia Federal (PF) estabeleceu um prazo de cinco dias para que os indígenas saiam da área, e informou que o armamento e o efetivo policiais já estão a postos para retirar os indígenas da retomada.

Inicialmente, a PF havia estabelecido um prazo de 48 horas pra a realização do despejo. No entanto, os indígenas conseguiram estendê-lo por mais três dias. Os Kaiowá tentaram entregar uma cópia do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação de Lagoa Rica/Panambi, que comprova o reconhecimento da área como terra indígena, mas os policiais se recusaram a recebê-lo.
Mesmo tendo entrado com o pedido de reintegração de posse, o fazendeiro teria afirmado que não tinha interesse em retirar os Kaiowá da área, conforme relatam os próprios indígenas. “Ele disse que não iria tirar a gente de lá até a demarcação terminar. Então nós fizemos um acordo [extra-judicial] com ele, a Funai e o MPF, pra ficarmos só em 75 hectares de terra, e usar os 75 hectares de mata pra caçar e pegar madeira, sapé. E aí ele ia cancelar a reinteração. Só que aí o fazendeiro não cancelou”.
A relação com os arrendatários é tensa. Segundo os indígenas, a intimidação e os ataques de jagunços das fazendas é recorrente. “Eles montaram guaritas perto do mato. Quando a gente entra pra buscar sapé, madeira, eles atacam a gente. Nós tivemos que parar de construir a ogapsy [casa de reza] por isso”, conta Ava Jeguaka Hory.
“Somos 23 famílias, 63 pessoas, muitas delas crianças”, explica a liderança Ava Jeguaka Hory. “Se por acaso eles vierem, pode ser qualquer arma pesada. A gente vai permanecer aqui do mesmo jeito”, afirma a Guarani Kaiowá Kuña Hory.

CPI do Cimi: Justiça Federal impõe multa de cem mil reais a cada ato praticado pela deputada Mara Caseiro (MS)

Além da multa, a 'double' de deputada estadual e produtora rural que quer ser prefeita de Campo Grande ainda pode ser punida por improbidade administrativa.

Da esquerda pra direita, Mara Caseiro (PT do B) em charge de Éder (Correio do Estado)

Leia Sentença enviada a este Blog pelo advogado Luiz Henrique Eloy Amado*, a seguir:

0013512-48.2015.4.03.6000

** Sentença
A autora alega o descumprimento da decisão que antecipou os efeitos da tutela, requerendo a aplicação de multa. Juntou documentos (fls. 170/177).Decido. Na decisão de fls. 149/160, apresentando as razões para fundamentar a concessão da liminar, este Juízo determinou a suspensão da CPI desencadeada pela Assembleia legislativa de MS, através do Ato nº 06/15 do Gabinete da Presidência. O Presidente desse órgão foi intimado no dia 01/02/2016 (f. 167). No entanto, constata-se pelos documentos juntados pela autora que a ordem judicial vem sendo descumprida. No ato publicado em 12/02/2016, o órgão legislativo defendeu que a atuação dos Deputados não estaria subordinada às autoridades do Poder Judiciário. Ademais, na agenda da Assembleia constata-se que foi designada audiência, relativa a CPI do CIMI, hoje, das 14:00 às 18:00 horas.Conforme certidão de f. 178, o recurso de agravo de instrumento interposto pelo Estado de MS ainda não foi analisado no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. De forma que até o momento a liminar é valida e deve ser cumprida. Registre-se que diante do principio da separação dos poderes, coube ao Poder Judiciário a função de garantir o cumprimento das leis, principalmente da Constituição Federal. O descumprimento de uma ordem judicial torna inócua a prerrogativa conferida pela constituição Federal. Assim, os atos proferidos pela Deputada que preside a CPI afrontam o próprio Poder Judiciário. Diante do exposto, fixo multa de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para cada ato realizado pela "CPI do CIMI", incluindo eventual continuidade da audiência designada para hoje, por se tratar de descumprimento da decisão proferida por este Juízo. A multa deverá ser suportada pelo Estado de MS e, solidariamente, pela Deputada Estadual, MARA CASEIRO, sob pena, inclusive de pratica de atos de improbidade administrativa. Intimem-se imediatamente, inclusive o Presidente da Assembleia Legislativa.

*O advogado Luiz Henrique Eloy Amado é liderança Terena e doutorando em Antropologia

Leia Mais
> Deputada Mara Caseiro mostra descontrole ao afrontar decisão da Justiça e desfalca erário público do MS



Ailton Krenak recebe título de professor Honoris Causa na Federal de Juiz de Fora

Krenak esteve na UFJF como mestre do Movimento Encontro de Saberes. Foto _ Caique Cahon

Luis Nassif Online em GGN

A Universidade Federal de Juiz de Fora vai conceder, na próxima quinta-feira, dia 18, o título de professor Honoris Causa a Ailton Krenak, uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro. Krenak vem trabalhando junto à UFJF desde 2014 em diversas atividades, com destaque para o Curso de Especialização “Cultura e História dos Povos Indígenas” e a disciplina “Artes e ofícios dos saberes tradicionais”.
 
“Embora esse reconhecimento tenha chegado junto com os meus 63 anos, é um ponto de partida, não de chegada. Este é um movimento para descolonizar a UFJF, abrir janelas para outros saberes e passá-los adiante”, diz Krenak, que é ambientalista, escritor e coordenador da Rede Povos da Floresta, dentre inúmeras outras ações voltadas para a agregação e união dos povos indígenas e dos povos da floresta.
 
A UFJF é a primeira universidade a outorgar esta titulação a um mestre do Movimento Encontro de Saberes, projeto nacional que tem o objetivo de levar à academia conhecimentos tradicionais. “Vejo como um privilégio para a Universidade a oportunidade de conceder essa honraria a Ailton Krenak, cujo trabalho tem alcance e relevância internacional. Começamos por uma pessoa que não deixa dúvidas quanto à sua capacidade e competência”, diz o coordenador do curso “Cultura e História dos Povos Indígenas” e das disciplinas do Encontro de Saberes na UFJF, Daniel Pimenta.

Como líder indígena, Krenak espera que a decisão da UFJF abra caminho para a ampliação do conhecimento também em outras instituições de ensino. “A UFJF avança com um sinal importante para outras universidades, especialmente as públicas, acerca da importância de integrar conhecimentos que não são os dos cânones ocidentais que orientaram até hoje a história brasileira. Diferentes saberes estão sendo integrados como recursos, e isso é fundamental”, diz, destacando que trata-se de um ganho coletivo. “Sempre ouvi comentários preconceituosos, mas um grande contingente da população à margem da leitura e da escrita é portador de conhecimento. Hoje a universidade se abre para outras formas do saber e fico feliz por fazer parte disso. É uma vitória coletiva não só dos indígenas, mas de outras culturas da oralidade e da memória.”
 
O título
 
O título de professor Honoris Causa é concedido pela UFJF a personalidades, nacionais ou estrangeiras, cujas atividades, publicações ou descobertas tenham contribuído para o progresso da educação, das ciências, das letras e das artes. O processo para outorga da honraria a Ailton Krenak foi iniciado no Departamento de Botânica, passou pelo Instituto de Ciências Biológicas e foi, em seguida, aprovado também pelo Conselho Superior (Consu). A entrega do título será feita em sessão solene, às 19h desta quinta-feira, no Mamm. O evento é aberto ao público.

Da Universidade Federal de Juiz de Fora

17 de fevereiro de 2016

Pedro, Pedra e Dom – 88 anos de Dom Pedro Casaldáliga

"Ao longo de sua vida, Pedro optou pela luta ao lado dos povos oprimidos e excluídos e pela humildade, numa posição sempre crítica às hierarquias e aos privilégios. Simbolicamente, recusou o tradicional chapéu sacerdotal dos bispos, de mitra, ao qual preferiu um mais simples, de palha, e trocou o anel episcopal de ouro por outro de tucum".


Ontem, 16 de fevereiro, Dom Pedro Casaldáliga completou 88 anos. Nascido em Balsareny, na província catalã de Barcelona, Pedro vive no Brasil desde 1968. Veio para o país para atuar como missionário em São Félix do Araguaia e, ao conhecer a realidade dos povos indígenas, passou a atuar na luta pelo reconhecimento de seus direitos, participando da fundação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) na década de 1970.
Ao longo de sua vida, Pedro optou pela luta ao lado dos povos oprimidos e excluídos e pela humildade, numa posição sempre crítica às hierarquias e aos privilégios. Simbolicamente, recusou o tradicional chapéu sacerdotal dos bispos, de mitra, ao qual preferiu um mais simples, de palha, e trocou o anel episcopal de ouro por outro de tucum.
Durante a Ditadura Militar, Pedro foi alvo de cinco processos de expulsão do Brasil e, em função de sua atuação em defesa dos excluídos, já sofreu diversas ameaças de morte e teve que deixar sua casa após ser ameaçado durante o processo de desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsèdè, do povo Xavante.
Com 88 anos de idade, Pedro segue fiel a seus princípios, que ele mesmo sintetizou um dia: “Ser o que se é, falar o que se crê, crer no que se prega, viver o que se proclama até as ultimas consequências”.
Leia, abaixo, poema do secretário adjunto do Cimi, Gilberto Vieira dos Santos, em homenagem a Dom Pedro Casaldáliga por ocasião de seu aniversário.

Pedro, Pedra e Dom
Querido Pedro, nestes mais de 40 anos em que bebe das águas deste Araguaia, Berohoky dos Iny, renovastes sempre e reafirmastes os compromissos assumidos naquela pequena capela, hoje cruzeiro que das margens do Araguaia observa as cheias e os baixios das águas.
Agora, na oitava primavera de seus oitenta, quantos Dons ainda nos traz, mesmo quando o “irmão” lhe impõe outro ritmo.

Sempre deixaste de lado o dom-título, que alguns fazem questão de manter como prenome, e se fez Dom real e vivo, muito para além destes títulos negados nas Catacumbas.

Em suas duas camisas, em seu par de ‘lambretas’ rebatizadas pelo povo como ‘prelazias’, em seu anel episcopal do coco tucum, em sua mitra de palha e por seu báculo indígena, pastor que és, conduz uma Romaria de indignadas e de indignados. Estas e estes, que seguindo seus passos buscam os passos do Cristo, se sentem abençoados pelo Dom que é Pedro e aspiramos também sermos dons para os mesmos povos pelos quais optastes.
Awire, Aoxekato, Hepani, Obrigado
Giba.


16 de fevereiro de 2016

GENOCÍDIO E RESISTÊNCIA


Publicado a 16/02/2016

Você já imaginou ser atacado por jagunços armados e ter seus pertences destruídos? No Mato Grosso do Sul os Guaranis kaiowás são atacados por pistoleiros à mando de fazendeiros da região de Coronel Sapucaia - MS frequentemente. Vamos ajudar os Guarani Kaiowás participando da luta pela demaração de seus territórios(Tekohá). Assista, comente e compartilhe para fortalecer a luta desse povo.
You Tube


Deputada ruralista descumpre ordem judicial e prossegue com CPI do CIMI (MS)

Por Tereza Amaral

A"double" de deputada estadual e produtora rural Mara Caseiro insiste em querer investigar o Conselho Indigenista  Missionário (Cimi) . A CPI foi suspensa  pela Justiça Federal, mas a que não faz o 'dever de casa' -  por que não defende a legítima CPI do Genocídio ? - numa vã tentativa de criminalizar a entidade e subestimar os povos indígenas do Mato Grosso do Sul faz de conta que desconhece sobre os atos praticados por ruralistas próximos à ela, inclusive,  sob suspeição de envolvimento em assassinato - Caso Semião Vilhalva. Ler reprodução do Diário Oficial, a seguir:




: