17 de maio de 2015

ONG prepara manual para empresas lidarem com índios da Amazônia

 Coordenador da ONG TNC fala sobre o documento, com recomendações para uma exploração econômica na Amazônia
Índios Guarani Kaiowás que vivem próximos a fazenda de soja no Mato Grosso (Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)
 
 
THAÍS HERRERO, ÉPOCA
Empresas e populações indígenas estão interessadas em fazer negócios na Amazônia. Boa parte dos empreendedores das principais cadeias produtivas do Brasil já esbarrou ou irá esbarrar na necessidade de conversar com os povos indígenas e fazer acordos para minimizar riscos de impactos e buscar oportunidades de negócios. E isso precisa beneficiar ambos os lados.
 
O grande diferencial dessa relação entre setor privado e povos tradicionais hoje é que ela está mais madura. Há alguns documentos soltos com orientações que fornecem pistas e conselhos do melhor para os dois lados, como uma lista de sugestões da Organização Internacional do Trabalho. Mas não há um documento específico sobre o tema, feito com o consenso das partes. Para preencher essa lacuna, um grupo liderado pela ONG The Nature Conservancy (TNC) prepara um manual de relação entre índios e empresas. É o “Diretrizes brasileiras de boas práticas corporativas com povos indígenas”, que fechou seu prazo de consulta pública pela internet nessa sexta-feira (15). O texto final será apresentando entre julho e agosto.

O objetivo é que o documento se torne uma referência nacional com recomendações de como as empresas devem operar em regiões próximas a terras indígenas. Para os índios, será uma fonte com subsídios para que identifiquem companhias bem intencionadas e capazes de respeitar seus direitos. O documento é fruto de uma série de reuniões e debates entre representantes do setor privado (como Anglo American, Vale, Votorantim, Suzano e Itaipu Binacional), de indígenas e organizações não governamentais, como a TNC.

Hélcio Marcelo de Souza, coordenador de estratégias indígenas da TNC, afirma que esse relacionamento entre grupos tão diferentes é importante porque, mesmo que as empresas não possam fazer exploração econômica de recursos dentro de terras indígenas, o fazem nos seus arredores e podem levar impactos aos índios. Leia a seguir a entrevista que ele deu ao blog ÉPOCA AMAZÔNIA. Leia AQUI.
 

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