31 de agosto de 2014

SÉRIE - PROPOSTAS DO CACIQUE LÁDIO VERON - 5000 - PSOL - PROPOSTA 1






Por Flávio Bittencourt

Se existe um imenso e desprezado direito constitucional nesse país é o direito à terra.

Num país de proporções continentais, é um absurdo pensar que hoje, em pleno século 21, ainda se disputa com a própria vida os espaços do Brasil.

A nossa sociedade têm uma divida imensa com os povos originários, com os quilombolas, com os camponeses, ribeirinhos, caiçaras e com todas as classes que são pressionadas pelo anseio pelo acúmulo de capital dentro desse nosso sistema cruel que tenta transformar cada um de nós numa ilha de egoísmo, cada um garantindo o seu e ignorando o direito e a necessidade de seu semelhante.

A expansão do colonialismo brasileiro, pressionou todos que viviam em paz, em comunhão com o seu ambiente na natureza, extraindo dela o que era necessário para sua vivência digna.

O progresso atropelou e atropela as comunidades tradicionais, aquelas mesmas que compõem nossa cultura, nossa história, nossas origens e nossa ancestralidade brasileira. Não a dos chamados "descobridores", mas a nossa mesma, a nossa raiz indígena, negra, cabocla, mulata, cafuza, mameluca e todas as demais origens que temos que ainda não possuem terminologia.

Essas nossas raízes precisam ser preservada e a Assembléia Constituinte de 1986 reconhece esse direito, o direito à preservação das origens, culturas, valores litúrgicos e folclóricos.

É nesta luta que Ládio Veron quer entrar, ou melhor, continuar, pois ele já luta há muito tempo pelos direitos do povo de sua etnia, os Guarani-kaiowá, mas em Brasília, ele quer ampliar essa luta para todas as sociedades que são excluídas pela ganância da parte da sociedade que já cortou suas ligações com suas raízes.

É por isso que votar no Cacique Ládio Veron para Deputado Federal é iniciar um novo cenário político nacional, onde haverá um guerreiro entre os políticos lutando por quem é excluído, esquecido e ignorado, que só são lembrados quando querem o que sempre foi deles, a terra.

Vote!!!

Cacique Ládio Veron
5000
PSOL

Essa postagem foi feita também na fanpage Amazônia: Brasil Brasileiro

\/
\/

https://www.facebook.com/AmazoniaBrasilBrasileiro/photos/a.519659698064991.118418.519640051400289/810806132283678/?type=1&theater

Assista o vídeo com outras propostas

\/
\/

https://www.youtube.com/watch?v=gsNZD13JBwU

30 de agosto de 2014

JULIA CAVALHEIRO: MÃE DA FAIXA DE GAZA INDÍGENA

Julia Cavalheiro em reunião com indígenas, quilombolas e  MST _ Foto Assessoria
Na condenacão dos assassinos do cacique Marcos Veron/SP _ Foto
http://mac-asf.blogspot.com.br/2011_02_01_archive.html 

Por Tereza Amaral e Flávio Bittencourt
"Meu filho cacique Ládio Veron quase foi morto junto com seu pai Marcos Veron. E hoje venho falar com uma ferida na alma porque ninguém sabe o que aconteceu de crueldade com nós mulheres Kaiowá no dia 16 de outubro de 2001, no primeiro despejo, e no dia 13 de janeiro de 2003. Jamais vamos desistir e se tiver que morrer aqui na Takara vamos morrer. Aqui é o nosso tekoha!". Julia Cavalheiro


Um dos mais significantes movimentos sociais da Argentina, as “Madres de la Plaza de Mayo”  (Mães da Praça de Maio) tem no Cone Sul do Mato Grosso algo análogo: Mulheres que lutam pela terra onde seus filhos foram assassinados, pelos esposos e parentes igualmente executados pelo agronegócio e, acima de tudo, pelos futuro das novas gerações. Julia Cavalheiro, Damiana  Cavalho e todas as mães Guarani-Kaiowá estão inseridas neste contexto onde a "praça" são na verdade terras encharcadas de sangue indígena. 

Viúva do cacique Marcos Veron e uma das mães da Resistência dos povos Guarani e Kaiowá, Júlia Cavalheiro convive no dia a dia com o cerco de pistoleiros. Dois dos seus filhos são ameaçados de morte: a lideranca da Aty Guasu Valdelice Veron e o homem mais procurado pelo mesmo latifúndio que matou o seu pai - continua impune -  e também quase o matou queimado. Trata-se do cacique Ládio Veron.
Cacique Damiana _ Survival

RESISTÊNCIA

A cacique Damiana, líder do tekoha (terra sagrada)  Apykaì é uma das mães da Faixa de Gaza Indígena. Elas são inúmeras e únicas na dor e na brava Resistência que começa a avançar também no tekoha da política.

O cacique Ládio Veron, chefe indígena da aldeia Takwara, atendeu ao convite do saudoso Plínio Arruda, fundador do PSOL, e é o mais forte candidato a deputado federal pelo partido no Mato Grosso do Sul. E "Mama" o acompanha com ritos em visitas pelas aldeias com quilombolas, sem terra e todos os oprimidos.

"Meu filho cacique Ládio Veron quase foi morto junto com seu pai Marcos Veron. E hoje venho falar com uma ferida na alma porque ninguém sabe o que aconteceu de rueldade com nós mulheres Kaiowá no dia 16 de outubro de 2001, no primeiro despejo, e no dia 13 de janeiro de 2003. Jamais vamos desistir e se tiver que morrer aqui na Takara vamos morrer. Aqui é o nosso tekoha!", declarou na última Aty Guasu em abril deste ano.

Reunião com indígenas, quilombolas e trabalhadores sem terra
Em entrevista a este Blog o chefe indígena falou sobre sua candidatura. LER AQUI!


SÉRIE - PROPOSTAS DO CACIQUE LÁDIO VERON - 5000 - PSOL




Por Flávio Bittencourt

A partir de hoje lançamos série de postagens que mostram as propostas do Candidato a Deputado Federal, Cacique Ládio Veron pelo número 5000, PSOL.

Você entenderá que as suas propostas estão diretamente ligadas à necessidade do povo Kaiowá, do povo indígena, dos Quilombolas, dos camponeses e de todos os oprimidos,

Sua bandeira tem como objetivo principal a mudança dessa história triste e sangrenta do Brasil que os próprios brasileiros não conhecem.

Sua bandeira é pela paz, pela dignidade humana, pelo direito humano e pelo cumprimento da Constituição Federal.

Sua bandeira é nossa também, a bandeira de Ládio é a bandeira da paz, do amor e da solidariedade, para que os povos vivam em harmonia plena, sem mais perseguições, sem mortes, sem fome e sem confinamentos.

Não perca nenhuma postagem, leia, entenda, deixe seu comentário, participe e principalmente... espalhe pelos quatro cantos do planeta.

Ládio não é político, ele é guerreiro e é da paz, mas tem coragem suficiente para ir em Brasília e lutar por seu povo e por todos os oprimidos. Ele não vai só, ele vai com toda sua ancestralidade e com os guerreiros da paz que o apoiam.

Ládio nunca está só, os Kaiowás nunca estão só, os povos indígenas nunca estão sós, os oprimidos.... NUNCA ESTÃO SÓS!!!

Vem com a gente!!!

Para Deputado Federal, vote em Cacique Ládio Veron, 5000, PSOL

Amanhã você conhecerá uma das propostas!

Veja essa mesma postagem na fanpage Amazônia: Brasil Brasileiro no Facebook

\/
\/

https://www.facebook.com/AmazoniaBrasilBrasileiro/photos/a.519659698064991.118418.519640051400289/810314215666203/?type=1&theater

Assista o vídeo com mais propostas

\/
\/

https://www.youtube.com/watch?v=gsNZD13JBwU

27 de agosto de 2014

Segregação de Candidatos Indígenas: O 'SOL KAIOWÁ' VIRÁ!


Por Tereza Amaral e Flávio Bittencourt

A população indígena representa apenas 0,32 % das candidaturas às eleições de 2014. O sistema político brasileiro ainda é extremamente concentrado, não refLetindo a diversidade de representações étnico raciais da sociedade brasileira. E representa apenas 0,32 % das candidaturas às eleições de 2014. Apenas 85 candidatos no país são indígenas. ASSISTA AO VÍDEO ABAIXO:



VEJA AS PROPOSTAS DO CANDIDATO CACIQUE LÁDIO VERON AQUI!

Atualizada

24 de agosto de 2014

Reserva Te`yíkue: Conselho da Aty Guasu reúne em apoio ao candidato Cacique Ládio Veron


"Eu hoje venho me colocar perante vocês para que possamos fazer valer cada gota de sangue derramado de nossos caciques que tombaram na luta pela vida". 
Cacique Ládio Veron




Por Tereza Amaral e Flávio Bittencourt

Caciques, líderes, anciões, guerreiros, professores e jovens participaram, ontem, do Conselho da Aty Guasu na reserva Te`yíkue em apoio à candidatura do cacique Ládio Veron. O líder Guarani-Kaiowá concorre a uma vaga na Câmara Federal (PSOL)

Doutor em Antropologia e porta voz da Aty Guasu, Tonico Benites considerou as propostas do candidato como sendo "soluções possíveis para os problemas sociais da classe explorada incluindo indígenas, afrodescendentes, quilombolas, sem terra, sem teto, sem renda e brasileiros acadêmicos cotistas".

Tonico Benites também disse que "além disso, o sociólogo e líder indígena Ládio pretende buscar diversas formas de recuperar a posse das terras indígenas. Uma das propostas será garantir de fato pagamento/indenização merecida às pessoas de boa fé que seja de forma célere", avaliou em sua página em uma Rede Social. Ele ressaltou que várias propostas serão viáveis no Mato Grosso do Sul e Brasil, resolvendo demandas de indígenas e não índios naquele estado.

Candidato

"Eu hoje venho me colocar perante vocês para que possamos fazer valer cada gota de sangue derramado de nossos caciques que tombaram na luta pela vida".
Com estas palavras e visivelmente emocionado, o candidato Guarani-Kaiowá lembrou das lideranças assassinadas. "Muitos dos antigos que eram para estar aqui ao meu lado foram assassinados. Ele também recordou o  pai assassinado em 2003. "Vocês sabem que o meu pai cacique Marcos Veron lutou até o último suspiro por todos", lembrou, agradecendo o apoio.

Presente no Conselho da Aty, o cacique Hipólito ressaltou que o chefe indígena Ládio Veron vivencia o sofrimento do seu povo: "O nosso cacique Ládio Veron sabe o que é o sofrimento, sabe o que é ser jogado na beira da estrada e o que é ser humilhado por latifundiário".Veja algumas das propostas do candidato AQUI!

Fotos _ Assessoria

22 de agosto de 2014

PLANTANDO SEMENTES EM TERRAS FÉRTEIS




O candidato eleito pela Aty Guasu para representar seu povo na disputa a uma vaga para a Câmaral Federal, cacique Ládio Veron (PSOL) tem sido recebido pelos parentes indígenas do Mato Grosso do Sul numa peregrinacão por onde conhece e mais defende: as aldeias.


Com santinhos na mão, o povo mais massacrado pelos últimos governos escuta atentos as propostas do líder da Resistência e chefe indígena da aldeia Takwara.

E a chama da esperança, e pelo Eco da Dignidade no tekoha da política, está acesa...VIRÁ!



Assista novo vídeo que mostra a peregrinação do Cacique Ládio Veron pelas aldeias para expor suas propostas AQUI!



21 de agosto de 2014

Candidato Cacique Ládio Veron: Semeando com seu povo


Por Tereza Amaral e Flávio Bittencourt
Fotos _ Natanael Caceres


O candidato eleito pela Aty Guasu para representar o povo Guarani-Kaiowá na disputa a uma vaga para a Câmaral Federal, cacique Ládio Veron, tem feito uma peregrinação no Mato Grosso do Sul, onde o líder da Resistência conhece e defende como ninguém os direitos das comunidades: nas aldeias.

Com santinhos na mão, o povo mais massacrado pelos últimos governos escuta atento as propostas do chefe indígena da aldeia Takwara, cuja candidatura pelo PSOL vem sendo sonegada pela mída e até por sites alternativos.

A candidatura de LádioVeron é mais do que um fato, é emblemática, histórica.Trata-se da coragem de um dos onze lídereres ameaçados de morte pela defesa dos Direitos Humanos (ver https://www.youtube.com/watch?v=CdCmXszR16E).E, se eleito, do segundo indígena a sentar na Câmara Federal em 125 anos de República. Somente Mário Juruna foi deputado federal pelo PDT.
E a chama da esperança pelo Eco da Dignidade no tekoha da política está acesa, muito embora, repito, ainda na escuridão da grande mídia.Há quem não entenda que a Resistência caminha rumo ao Congresso Nacional para combater o genocídio legislativo, em Brasília.

Mas também existem anotadres - não são jornalistas - que no final de de matéria ignorantemente coloca a sua candidatura como bizarra, em um desrespeito à democracia e aos povos indígenas. Cacique não é profissão, mas tradicão.
V I RÁ!

20 de agosto de 2014

CANDIDATURA DO CACIQUE LÁDIO VERON NA "SETA" DA INSURGÊNCIA

Por Tereza Amaral e Flávio Bittencourt

Militantes da Insurgência, a corrente do PSOL que tem como bandeira o ecossocialismo, estão fortemente engajados na campanha do chefe indígena Ládio Veron que cresce a cada dia no Mato Grosso do Sul.
O cacique disse em entrevista a este Blog ter escolhido a legenda porque se propõe a defender os oprimidos. Em suas propostas, a Insurgência defende o ecossocialismo, o debate indígena, agrário, pelas preservacão do meio ambiente e contra usinas nucleares, dentre outras.

"A Insurgência sustenta as lutas dos povos indígenas e de comunidades singulares, como populações que trabalham a partir de formas de propriedade comum da terra, quilombolas, caiçaras, ribeirinhas etc. pelo controle de seus territórios e de suas riquezas e pelo reconhecimento de sua identidade e de sua cultura", conforme consta em seu Manifesto, onde está ressaltada a valorizacão do protagonismo em lutas  contra o “Neodesenvolvimento”. Modelo este que impulsiona o agronegócio e  extrativismo mineral, além dos megaprojetos de infraestrutura que contemplam apenas pequenas elites e o capitalismo global.
Confira abaixo Entrevista concedida por E-mail a este Blog:







O cacique Ládio Veron,  chefe indígena da Aldeia Takwara, localizada no município de Juti (MS),  vai disputar uma vaga no Congresso Nacional. Depois de Mário Juruna, eleito pelo PDT na década de 80 (1983-1987 e responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio), se tomar assento na Câmara Federal  será o segundo parlamentar indígena do Brasil em 125 anos de República. Amazônia Legal em Foco  fez a seguinte entrevista via e-mail:

ALF: O senhor é  um dos líderes da Resistência Guarani-Kaiowá que luta pela vida de etnias vitimadas pela inércia da demarcação e expansão do Agrogenócio em seu estado. Como será a sua plataforma política?

Cacique Ládio Veron: A minha plataforma brota da terra, dos anseios pela terra e clama por condições sustentáveis para nela viver. As flechas do meu povo atingirão as urnas para demarcar a vontade de transformar a sociedade,  acabando com a opressão que nós - povos da terra - sofremos há décadas . Há um genocídio legislativo no Congresso Nacional, onde a maioria dos deputados federais  defende  interesses do atual modelo neodesenvolvimentista brasileiro sustentado pelo agronegócio. A bancada ruralista negligencia os direitos dos povos indígenas, quilombolas e camponeses. Devemos retomar nossos direitos e para isto temos um programa denso  nas áreas de Educação, Saúde, Justiça, Direito da Criança, Direitos Humanos e Meio Ambiente para demarcar as demandas dos indígenas e da sociedade, em especial os oprimidos.

ALF: Um guerreiro em meio a poderosos inimigos representados pela maior bancada: a dos Ruralistas. Em caso de eleito, o senhor se sente preparado para o que o espera?

Cacique Ládio Veron: A minha candidatura não foi um decisão isolada. Depois do convite que me foi feito pelo saudoso Plínio Arruda houve a decisão do meu povo. Nós somos esta candidatura que representa um passo da luta pela existência. Sinto-me preparado para lutar em defesa do Direito Indígena, fazendo uso da diplomacia  e a força do guerreiro, legados do meu pai cacique Marcos Veron, assassinado na luta pela terra, em 2003, pelos mesmos que nos oprimem: o latifúndio. E quem viu a morte do pai e quase foi queimado pelos opressores está, sim, preparado. Eles não mataram apenas o meu pai e 237 lideranças indígenas em uma década. Eles mataram também o nosso medo! Chegou a hora de lutarmos pelos nossos direitos em condições de igualdade, na nascente da Lei, que hoje é uma grande preocupaçao nossa.

ALF: O nome Ládio Veron tem hoje uma projeção estadual, nacional e até no exterior devido ao genocídio em curso no MS. O senhor acredita que esse reconhecimento o levará ao Congresso Nacional?

Cacique Ládio Veron: Eu acredito que as sete etnias do Mato Grosso do Sul, incluindo a minha Guarani-Kaiowá, estão em primeiro lugar. Somos a segunda maior populacão indígena do país com 73.295 indígenas, segundo o censo demografico do IBGE. Deste total 43.401 são da minha - Guarani-Kaiowá -, segundo o ultimo censo. Mas é claro que o aceno de amigos de todos os cantos do país e exterior em muito nos ajudará. Muito emboras eles não votem em meu estado, muitos possuem parentes e amigos que aqui residem e estão pedindo para que votem em nossa candidatura.

ALF: Antes de ser candidato o senhor é um homem ameaçado de morte.Como pretende driblar seus inimigos – agronegócio -  sobretudo em exposições, tais como comícios?

Cacique Ládio Veron: A campanha me transforma naturalmente em um alvo móvel. Mas também tenho como driblar. Um exemplo disso é que decidimos usar estratégias, das quais só posso revelar uma: decidimos não mais divulgar a minha agenda. Os que querem a minha cabeça  são inteligentes, pois um atentado contra mim neste momento seria um tiro no pé. A imprensa nacional e internacional viria ao Mato Grosso do Sul e o culpado seria facilmente identificado.

ALF:  O senhor também tem em seu projeto ações voltadas para o Meio Ambiente, além de minorias como ribeirinhos e quilombolas?


Cacique Ládio Veron: Os povos originários historicamente são os maiores ambientalistas. Temos sim! Lutar pela proibição da aplicação de agrotóxicos em áreas indígenas, quilombolas e camponesas, fortalecer as iniciativas da sociedade civil contrárias ao uso de agrotóxicos que contamina as águas, os solos, animais e humanos e o fim dos incentivos fiscais às empresas do agronegócio são algumas das nosssas propostas.

ALF: A sua candidatura naturalmente tem como base o estado do Mato Grosso do Sul. O senhor vai viajar pelo Brasil?

Cacique Ládio Veron: Levar a brutal realidade do nosso povo e defender o eco da dignidade pelo país faz parte do caminho pela existência do nosso  povo. Até as eleições a prioridade é ficar no estado, mas havendo convites estou disposto e viajarei sim.

ALF: Além de Chefe Indígena o senhor é uma das lideranças da Grande Assembléia dos Povos Indígenas Kaiowá e Guarani do Mato Grosso do Sul. A sua candidatura teve o aval da Aty Guasu?

Cacique Ládio Veron: Teve sim porque todas as decisões do nosso povo passam necessariamente pela Aty Guasu. a forma própria de organização com seus saberes e jeito de ser e sobreviver.

ALF: O que representa a sua candidatura para os líderes espirituais (xamãs)?

Cacique Ládio Veron: Uma missão. Os lideres espirituais acreditam que se sobrevivi à tortura, a humilhação de ser arrancado da minha terra indigena e fui jogado na beira de rodovia junto com meu povo é porque tenho uma missão a cumprir.  É assim que as nossas lideranças veem a nossa candidatura.

ALF: Por que optou pelo PSOL?

Cacique Ládio Veron:O Partido Socilismo e Liberdade tem em seu estatuto  objetivos que defendem solidariedade às lutas dos trabalhadores  com vistas a construção de uma sociedade justa, igualitária. E inclue as lutas das minorias, nações e povos oprimidos.

ALF: Para finalizar, qual a mensagem o senhor deixa para o eleitorado?

Cacique Ládio Veron: O nosso voto demarcará a vontade de transformar a sociedade, acabar com a opressão que nós - povos da terra - sofremos e, sobretudo, nas últimas décadas . É hora de indígena representar indígena. Chegou o momento da nossa autonomia, de rompermos com essa velha política proposta há anos. É hora das minorias se unirem no enfretamento da mão que legisla em interesses próprios e segregadores.Veja algumas das propostas do Programa Político AQUI!


Fotos _  Coordenadoria  de Marketing e Insurgência (Banner)


18 de agosto de 2014

O ECO DA DIGNIDADE INDÍGENA NO CONGRESSO NACIONAL

Em palestra com alunos da Rede Pública de Ensino _  Foto Márcia Silva
Por Tereza Amaral


O cenário político brasileiro passa por um momento histórico, muito embora sonegado pela grande mídia e inúmeros blogueiros. Indígenas de etnias do país (são 305) estão com candidaturas consolidadas rumo ao Congresso Nacional. Exemplo disso é a do chefe indígena Guarani-Kaiowá Ládio Veron pelo PSOL.
E a retaliação vem anunciada pela CNA. O que a senadora ruralista Kátia Abreu e a bancada do Agronegócio com aliados não sabem - será?- é que o Eco da Dignidade Indígena será ouvido dentro da Câmara Federal e não mais apenas em reuniões com comissões, mas por representantes legítimos.
Pelo menos se depender dos povos do Mato Grosso do Sul haverá uma luta pelo direito indígena pacífica, legitimada pelo voto e em condições de igualdade para também impedir o genocídio legislativo em curso.
A candidatura do cacique Ládio Veron, a quem integro a equipe como Coordenadora de Marketing Político VIRÁ!
E pelo trabalho acima mencionado informo ao meus caros leitores que, a partir desta data, me distancio deste Blog até o resultado da eleicões de outubro, deixando
o colega Flávio Bittencourt - também integra a Coordenadoria de Marketing - que assume Amazônia Legal em Foco. Até a Vitória!

17 de agosto de 2014

FATO EM FOTO

Foto _ Assessoria de Comunicação


Por Tereza Amaral e Flávio Bittencourt


Um fato histórico. Mesmo ameaçado de morte pelo agronegócio, o chefe indígena Ládio Veron percorre no caminho de uma nova Resistência: junto com seu povo e tendo sua candidatura consolidada com o aval da Aty Guasu ( Grande Assembleia dos Povos Kaiowá e Guarani) segue rumo ao Congresso Nacional.

Filho do cacique Marcos Veron, barbaramente assassinado por latifundiários impunes (2003), Ládio Veron é um dos líderes da Resistência Guarani-Kaiowá. O candidato a deputado federal pelo PSOL gravou, neste final de semana, o guia eleitoral que chegará nas casas dos matogrossenses do Cone Sul na próxima terça-feira.

Momento em que terá a oportunidade de levar ao eleitorado daquele estado, sobretudo aos não indígenas, o Eco da Dignidade de um povo que precisa da demarcação dos seus territórios tradicionais (tekoha) e que clama por Justiça. A sua destemida candidatura representa a defesa do  Direito Indígena, dos povos da terra - camponeses - e oprimidos de um modo geral.

Ainda sem as lentes da grande mídia - até quando? - mas  amplamente divulgada nas redes sociais, Blog Amazônia Legal em Foco e pelo site  Índio Cidadão -,  a disputa por uma vaga à Câmara Federal é também para combater o genocídio legislativo em curso. O líder Guarani-Kaiowá carrega consigo a responsabilidade da segunda maior população indígena do país e de 304 etnias brasileiras. VIRÁ!




Veja AQUI as propostas do Cacique Ládio Veron!

16 de agosto de 2014

Chefe Indígena Candidato a Deputado Federal no MS

Darcy Ribeiro com Mário Juruna _ Antônio Brito
Texto e Edição _ Tereza Amaral


O cacique Ládio Veron,  chefe indígena da Aldeia Takwara, localizada no município de Juti (MS),  vai disputar uma vaga no Congresso Nacional. Depois de Mário Juruna, eleito pelo PDT na década de 80 (1983-1987 e responsável pela criação da Comissão Permanente do Índio), se tomar assento na Câmara Federal  será o segundo parlamentar indígena do Brasil em 125 anos de República. Amazônia Legal em Foco  fez a seguinte entrevista via e-mail:

ALF: O senhor é  um dos líderes da Resistência Guarani-Kaiowá que luta pela vida de etnias vitimadas pela inércia da demarcação e expansão do Agrogenócio em seu estado. Como será a sua plataforma política?

Cacique Ládio Veron: A minha plataforma brota da terra, dos anseios pela terra e clama por condições sustentáveis para nela viver. As flechas do meu povo atingirão as urnas para demarcar a vontade de transformar a sociedade,  acabando com a opressão que nós - povos da terra - sofremos há décadas . Há um genocídio legislativo no Congresso Nacional, onde a maioria dos deputados federais  defende  interesses do atual modelo neodesenvolvimentista brasileiro sustentado pelo agronegócio. A bancada ruralista negligencia os direitos dos povos indígenas, quilombolas e camponeses. Devemos retomar nossos direitos e para isto temos um programa denso  nas áreas de Educação, Saúde, Justiça, Direito da Criança, Direitos Humanos e Meio Ambiente para demarcar as demandas dos indígenas e da sociedade, em especial os oprimidos.

ALF: Um guerreiro em meio a poderosos inimigos representados pela maior bancada: a dos Ruralistas. Em caso de eleito, o senhor se sente preparado para o que o espera?

Cacique Ládio Veron: A minha candidatura não foi um decisão isolada. Depois do convite que me foi feito pelo saudoso Plínio Arruda houve a decisão do meu povo. Nós somos esta candidatura que representa um passo da luta pela existência. Sinto-me preparado para lutar em defesa do Direito Indígena, fazendo uso da diplomacia  e a força do guerreiro, legados do meu pai cacique Marcos Veron, assassinado na luta pela terra, em 2003, pelos mesmos que nos oprimem: o latifúndio. E quem viu a morte do pai e quase foi queimado pelos opressores está, sim, preparado. Eles não mataram apenas o meu pai e 237 lideranças indígenas em uma década. Eles mataram também o nosso medo! Chegou a hora de lutarmos pelos nossos direitos em condições de igualdade, na nascente da Lei, que hoje é uma grande preocupaçao nossa.

ALF: O nome Ládio Veron tem hoje uma projeção estadual, nacional e até no exterior devido ao genocídio em curso no MS. O senhor acredita que esse reconhecimento o levará ao Congresso Nacional?

Cacique Ládio Veron: Eu acredito que as sete etnias do Mato Grosso do Sul, incluindo a minha Guarani-Kaiowá, estão em primeiro lugar. Somos a segunda maior populacão indígena do país com 73.295 indígenas, segundo o censo demografico do IBGE. Deste total 43.401 são da minha - Guarani-Kaiowá -, segundo o ultimo censo. Mas é claro que o aceno de amigos de todos os cantos do país e exterior em muito nos ajudará. Muito emboras eles não votem em meu estado, muitos possuem parentes e amigos que aqui residem e estão pedindo para que votem em nossa candidatura.

ALF: Antes de ser candidato o senhor é um homem ameaçado de morte.Como pretende driblar seus inimigos – agronegócio -  sobretudo em exposições, tais como comícios?

Cacique Ládio Veron: A campanha me transforma naturalmente em um alvo móvel. Mas também tenho como driblar. Um exemplo disso é que decidimos usar estratégias, das quais só posso revelar uma: decidimos não mais divulgar a minha agenda. Os que querem a minha cabeça  são inteligentes, pois um atentado contra mim neste momento seria um tiro no pé. A imprensa nacional e internacional viria ao Mato Grosso do Sul e o culpado seria facilmente identificado.

ALF:  O senhor também tem em seu projeto ações voltadas para o Meio Ambiente, além de minorias como ribeirinhos e quilombolas?

Cacique Ládio Veron: Os povos originários historicamente são os maiores ambientalistas. Temos sim! Lutar pela proibição da aplicação de agrotóxicos em áreas indígenas, quilombolas e camponesas, fortalecer as iniciativas da sociedade civil contrárias ao uso de agrotóxicos que contamina as águas, os solos, animais e humanos e o fim dos incentivos fiscais às empresas do agronegócio são algumas das nosssas propostas.

ALF: A sua candidatura naturalmente tem como base o estado do Mato Grosso do Sul. O senhor vai viajar pelo Brasil?

Cacique Ládio Veron: Levar a brutal realidade do nosso povo e defender o eco da dignidade pelo país faz parte do caminho pela existência do nosso  povo. Até as eleições a prioridade é ficar no estado, mas havendo convites estou disposto e viajarei sim.

ALF: Além de Chefe Indígena o senhor é uma das lideranças da Grande Assembléia dos Povos Indígenas Kaiowá e Guarani do Mato Grosso do Sul. A sua candidatura teve o aval da Aty Guasu?

Cacique Ládio Veron: Teve sim porque todas as decisões do nosso povo passam necessariamente pela Aty Guasu. a forma própria de organização com seus saberes e jeito de ser e sobreviver.

ALF: O que representa a sua candidatura para os líderes espirituais (xamãs)?

Cacique Ládio Veron: Uma missão. Os lideres espirituais acreditam que se sobrevivi à tortura, a humilhação de ser arrancado da minha terra indigena e fui jogado na beira de rodovia junto com meu povo é porque tenho uma missão a cumprir.  É assim que as nossas lideranças veem a nossa candidatura.

ALF: Por que optou pelo PSOL?

Cacique Ládio Veron:O Partido Socilismo e Liberdade tem em seu estatuto  objetivos que defendem solidariedade às lutas dos trabalhadores  com vistas a construção de uma sociedade justa, igualitária. E inclue as lutas das minorias, nações e povos oprimidos.

ALF: Para finalizar, qual a mensagem o senhor deixa para o eleitorado?

Cacique Ládio Veron: O nosso voto demarcará a vontade de transformar a sociedade, acabar com a opressão que nós - povos da terra - sofremos e, sobretudo, nas últimas décadas . É hora de indígena representar indígena. Chegou o momento da nossa autonomia, de rompermos com essa velha política proposta há anos. É hora das minorias se unirem no enfretamento da mão que legisla em interesses próprios e segregadores.Veja algumas das propostas do Programa Político AQUI!


Fotos _ Assessoria de Imprensa/Arquivo Pessoal

15 de agosto de 2014

O SOL KAIOWÁ

“É hora de indígena representar indígena.” Cacique Ládio Veron
“Como o Sol nascendo é assim o cacique Ládio Veron nessa luta para nós.” Nhanderu Gwyratupã





PERFIL
Candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul, pelo PSOLhttp://www.eleicoes2014.com.br/cacique-ladio-veron/ , Ládio Veron é cacique doTekoha Takwara (pronuncia-se “Taquara”) e representante do Povo Kaiowá e Guarani nas eleições 2014. O comitê eleitoral foi inaugurado no dia 11 de agosto, entretanto, sua campanha ainda não dispõe de recursos financeiros do partido. Com pautas bem definidas, a intensa agenda de compromissos não deve ser pública para resguardar a segurança dos envolvidos. Os destinos da itinerância do candidato são sigilosos, seguindo o protocolo de precauções do seu cotidiano pessoal. Ládio está ameaçado de morte, assim como sua irmã Valdelice, por herdar a luta do cacique Marcos Veron pela demarcação da Terra Indígena Takwara. O pai foi brutalmente assassinado por pistoleiros na intitulada ‘Fazenda Brasília do Sul’, diante da família, durante mais uma retomada da Takwara em 2003. A mesma realidade de violência é compartilhada por dezenas de comunidades indígenas no estado.
O cacique Ládio Veron foi incluído no Programa Federal de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em 2001. Teve o reconhecimento da OAB/RJ por sua liderança na luta indígena, sendo o indicado da Instituição para receber a Medalha Chico Mendes de Resistência 2014. Foi um dos condecorados na 26ª edição anual, realizada em abril, no Rio de Janeiro, na cerimônia organizada pelo Grupo Tortura Nunca Mais para outorgar a medalha às pessoas e grupos com destaque nas lutas de resistência. Também integrou a seleção de defensores de direitos humanos da Campanha Linha de Frente (http://youtu.be/CdCmXszR16E), recente iniciativa das organizações Justiça Global, Terra de Direitos e Front Line Defenders para sensibilizar o Estado e a opinião pública sobre a grave situação de 11 lideranças sociais no Brasil com a vida em risco e em processo de criminalização pela defesa de direitos constitucionais. Ao final desta matéria, publicamos a entrevista exclusiva do cacique Ládio Veron, concedida à jornalista Tereza Amaral e, gentilmente, cedida por ela – em primeira mão – para o blog ÍNDIO CIDADÃO. As informações da campanha tiveram como fonte a mídia AMAZÔNIA LEGAL EM FOCO –http://odescortinardaamazonia.blogspot.com.br/.   

Foto da preparação do Comitê Eleitoral com esforço comunitário, a campanha do Cacique Ládio Veron não dispõe de recursos financeiros do partido. Créditos Comitê




GENOCÍDIO E REFUGIADOS: A LUTA DOS SOBREVIVENTES PELA DEMARCAÇÃO DAS TERRAS E DOS VOTOS
Valdelice Veron relatou, por telefone, que as constantes ligações anônimas, endereçando intimidações à família, agora assumem o tom de oposição à candidatura do cacique Ládio Veron para deputado federal. O recado é curto: “A campanha não vai chegar ao final”. Ládio sofreu espancamento e tortura no episódio do homicídio de seu pai e, desde então, está marcado para morrer. A narrativa testemunhal do despejo do Tekoha Takwara, com detalhes da execução de Marcos Veron, foi documentada no filme ÍNDIO CIDADÃO? (DF/2014, 52’) – cuja pré-estreia foi realizada no dia 14 de abril no Memorial do MPF na Procuradoria Geral da República, em parceria com a 6ª Câmara. O relato de Valdelice é muito tocante, ela rememora as últimas palavras do pai antes de ser executado: “A luta vai continuar! Não vamos desistir. Agora a terra é nossa. Esta terra é nossa porque nós estamos demarcando a nossa terra com nosso próprio sangue. Não chora por mim! Nós somos um Povo forte”. Marcos Veron faleceu aos 72 anos. Não resistiu ao traumatismo craniano, sofrido no fatídico episódio.
Honrando a memória de seu pai, o cacique Ládio Veron persiste na luta. Deve ser considerado um sobrevivente: nos últimos 12 anos, mais de 300 lideranças Kaiowá  tombaram no Mato Grosso do Sul, executados pela defesa de suas terras tradicionais. Segundo a Lei nº 2.889/1956, matar membros de um grupo étnico com a intenção de destruí-lo, no todo ou em parte, é crime de genocídio. A sinistra contabilidade do genocídio contemporâneo da Nação Kaiowá é registrada pelo Conselho Aty Guasu, tendo por marco a posse do ex-presidente Lula em 2002. O finado Marcos Veron e outros caciques participaram, ativamente, da eleição, fazendo campanha ao lado do próprio Lula. Mas o pacto pela demarcação das terras indígenas no estado não foi cumprido pelo Partido dos Trabalhadores, na atual gestão do Poder Executivo – na prática, tanto sangue derramado não sensibilizou o Governo Federal. Sem a garantia do direito originário às terras tradicionais, segue o confinamento desta minoria em reservas indígenas, criadas na época da Ditadura Militar, para funcionar como verdadeiros campos de concentração – sob a guarda do infame Serviço de Proteção ao Índio.
O cacique Ládio comanda a ocupação do Tekoha Takwara, sob constante ameaça de pistoleiros a serviço dos coronéis da região. É um dos focos da Resistência Kaiowá nas dezenas de retomadas no estado, motivadas por processos demarcatórios infindáveis que beneficiam os latifundiários. Os interesses nas áreas cultiváveis no Mato Grosso do Sul são da cifra de bilhões de dólares e as demarcações representam obstáculo ao crescimento na safra do agronegócio – o estado obteve o maior avanço nas exportações do setor em 2013. Por outro lado, condenam a segunda maior população indígena no Brasil (dados do IBGE, 2010) ao quadro catastrófico de violação dos direitos humanos. A Portaria Declaratória da Terra Indígena Taquara – Portaria nº 954 – foi emitida pelo Ministério da Justiça em junho de 2010 e, no mês seguinte, teve os efeitos suspensos por decisão liminar da ministra relatora Carmen Lúcia na Ação Cautelar 2641. O caso permanece em análise no Supremo Tribunal Federal, enquanto a liminar contra a comunidade indígena vigora por 4 anos. A realidade da Nação Kaiowá e Guarani é um contexto nefasto de direitos negados, despejos judiciais, genocídio e a sobrevivência em acampamentos precários. Os primeiros habitantes desta terra enfrentam condição de refugiados no próprio país.

AS TREVAS RURALISTAS
A demarcação das terras indígenas é um dever constitucional da União, mas, na prática, o Governo Federal se omite na conclusão de processos demarcatórios, enquanto a Bancada Ruralista trabalha para revogar direitos indígenas assegurados nos artigos 231 e 232 da Constituição Federal. É notório que parlamentares, vinculados à Bancada Ruralista, grupo de interesse majoritário no Congresso Nacional e determinante para a governabilidade do país, se opõe às novas demarcações de Terras Indígenas no Brasil. Tramitam dezenas de projetos de leis anti-indígenas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, de autoria dos ruralistas, com destaque para a PEC 215/2000. A notícia de instalação da Comissão Especial dessa Proposta de Emenda Constitucional motivou a ocupação do Plenário da Câmara pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), durante o Abril Indígena 2013.
Com mais retrocesso do que avanços no tema, o Movimento Indígena percebeu que a forma mais efetiva de contrapor aos interesses dos políticos ruralistas é elegendo representantes da base para demarcar a defesa dos direitos conquistados como resultado da Emenda Popular da Campanha Povos Indígenas na Constituinte (1987/88). Neste contexto, a candidatura do cacique Ládio Veron ao cargo de deputado federal é simbólica. Representa um marco histórico na Resistência Kaiowá e de todos os Povos Originários no Brasil. A candidatura foi referendada pelo Conselho Aty Guasu, com a realização de uma série de Grandes Assembleias para garantir o das outras 7 Nações Indígenas no estado – Guarani, Guató, Kadiwéu, Kinikinau, Ñandeva, Ofaié e Terena.

Cerimônia tradicional pela candidatura do Sol Kaiowá e proteção na Campanha. Créditos Comitê

O SOL KAIOWÁ
Os anciões e as anciãs do Povo Kaiowá, conhecidos como rezadores de inquebrantável poder espiritual, realizaram cerimônia tradicional pela candidatura “para que todos ouçam o chamado da justiça” (http://youtu.be/yh9HNOWxnYc). Acreditam que Ládio sobreviveu para a missão de ocupar o cargo de parlamentar no Congresso Nacional, um contraponto mais que necessário aos interesses do Agronegócio e fundamental para suprir a lacuna de 30 anos da eleição de representação direta indígena no Legislativo Federal. Mario Juruna, liderança da Nação Xavante, foi o único deputado federal indígena nos 123 anos da história republicana do Parlamento brasileiro, com mandato exercido na 47ª Legislatura – 1983/1987. Juruna foi o maior defensor dos direitos indígenas na Câmara dos Deputados e Ládio Veron representa a esperança de um novo Sol para os Povos Originários na política nacional.
Juruna foi exemplo de político ético, com convicções firmes e posicionamento autêntico. Dos poucos registros disponíveis no acervo histórico de sua atuação parlamentar, se comprova a presença constante no Plenário e o respeito de seus pares pelo compromisso com seus ideais. Fez de seu mandato uma defesa intransigente dos interesses indígenas, com o marco da criação da Comissão Permanente do Índio. Juruna também foi voz incisiva contra a Ditadura Militar, que persistia no Poder Executivo, e não poupava a denúncia nominal da corrupção nos ministérios. Sua postura desagradou alguns colegas e o Governo sofreu pena de censura por suas declarações na tribuna. A campanha de difamação da imprensa contribui para enfraquecer sua campanha a reeleição.
Desde a Assembleia Nacional Constituinte, nenhum indígena conseguiu eleger-se para cargo no Legislativo Federal. O cacique Ládio Veron é um forte candidato para reverter essa ausência de representação direta no Congresso Nacional, que tornou a minoria excluída dos debates políticos nos Plenários da Casa, durante mais de 25 anos da redemocratização do país. É real a chance de eleição do candidato Kaiowá, considerando a potencialidade dos votos de eleitores da representativa população de Povos Originários no Mato Grosso do Sul, bem como de grupos oprimidos pela estrutura fundiária do estado como quilombolas, camponeses e assentados da reforma agrária.
O programa da campanha está fundado na questão agrária, voltado à garantia dos direitos aos povos da terra, como eixos temáticos em: Direitos Humanos; Crianças, adolescentes e jovens; Educação; Saúde; Justiça; Trabalho; e Meio Ambiente. É disponibilizado na íntegra, ao final, no intuito de contribuir para o debate de ideias essencial para a decisão consciente do voto. “É hora de indígena representar indígena”, com a palavra o deputado federal Ládio Veron.
15 de agosto de 2014.
Rodrigo Siqueira, diretor do filme ÍNDIO CIDADÃO? (DF/2014, 52’).



Tereza Amaral: O senhor é um dos líderes da Resistência Guarani-Kaiowá que luta pela vida de etnias vitimadas pela inércia da demarcação e expansão do Agronenócio em seu estado. Como será a sua plataforma política?
Cacique Ládio Veron: A minha plataforma brota da terra, dos anseios pela terra e clama por condições sustentáveis para nela viver. As flechas do meu povo atingirão as urnas para demarcar a vontade de transformar a sociedade, acabando com a opressão que nós – povos da terra – sofremos há décadas. Há um genocídio legislativo no Congresso Nacional, onde a maioria dos deputados federais defende interesses do atual modelo neodesenvolvimentista brasileiro sustentado pelo agronegócio. A bancada ruralista negligencia os direitos dos povos indígenas, quilombolas e camponeses. Devemos retomar nossos direitos e para isto temos um programa denso nas áreas de Educação, Saúde, Justiça, Direito da Criança, Direitos Humanos e Meio Ambiente para demarcar as demandas dos indígenas e da sociedade, em especial os oprimidos.
Tereza Amaral: Um guerreiro em meio a poderosos inimigos representados pela maior bancada: a dos Ruralistas. Em caso de eleito, o senhor se sente preparado para o que o espera?
Cacique Ládio Veron: A minha candidatura não foi uma decisão isolada. Depois do convite que me foi feito pelo saudoso Plínio Arruda houve a decisão do meu povo. Nós somos esta candidatura que representa um passo da luta pela existência. Sinto-me preparado para lutar em defesa do Direito Indígena, fazendo uso da diplomacia e a força do guerreiro, legados do meu pai cacique Marcos Veron, assassinado na luta pela terra, em 2003, pelos mesmos que nos oprimem: o latifúndio. E quem viu a morte do pai e quase foi queimado pelos opressores está, sim, preparado. Eles não mataram apenas o meu pai e 237 lideranças indígenas em uma década. Eles mataram também o nosso medo! Chegou a hora de lutarmos pelos nossos direitos em condições de igualdade, na nascente da Lei, que hoje é uma grande preocupação nossa.
Tereza Amaral: O nome Ládio Veron tem hoje uma projeção estadual, nacional e até no exterior devido ao genocídio em curso no MS. O senhor acredita que esse reconhecimento o levará ao Congresso Nacional?
Cacique Ládio Veron: Eu acredito que as sete etnias do Mato Grosso do Sul, incluindo a minha Guarani-Kaiowá, estão em primeiro lugar. Somos a segunda maior população indígena do país com 73.295 indígenas, segundo o censo demográfico do IBGE. Desse total 43.401 são da minha – Guarani-Kaiowá -, segundo o último censo do IBGE. Mas é claro que o aceno de amigos de todos os cantos do país e exterior em muito nos ajudará. Muito embora eles não votem em meu estado, muitos possuem parentes e amigos que aqui residem e estão pedindo para que votem em nossa candidatura.
Tereza Amaral: Antes de ser candidato o senhor é um homem ameaçado de morte. Como pretende driblar seus inimigos – agronegócio – sobretudo em exposições, tais como comícios?
Cacique Ládio Veron: A campanha me transforma naturalmente em um alvo móvel. Mas também tenho como driblar. Um exemplo disso é que decidimos usar estratégias, das quais só posso revelar uma: decidimos não mais divulgar a minha agenda. Os que querem a minha cabeça são inteligentes, pois um atentado contra mim neste momento seria um tiro no pé. A imprensa nacional e internacional viria ao Mato Grosso do Sul e o culpado seria facilmente identificado.
Tereza Amaral: O senhor também tem em seu projeto ações voltadas para o Meio Ambiente, além de minorias como ribeirinhos e quilombolas?
Cacique Ládio Veron: Os povos originários historicamente são os maiores ambientalistas. Temos sim! Lutar pela proibição da aplicação de agrotóxicos em áreas indígenas, quilombolas e camponesas, fortalecer as iniciativas da sociedade civil contrárias ao uso de agrotóxicos que contamina as águas, os solos, animais e humanos e o fim dos incentivos fiscais às empresas do agronegócio são algumas das nossas propostas.
Tereza Amaral: A sua candidatura naturalmente tem como base o estado do Mato Grosso do Sul. O senhor vai viajar pelo Brasil?
Cacique Ládio Veron: Levar a brutal realidade do nosso povo e defender o eco da dignidade pelo país faz parte do caminho pela existência do nosso povo. Até as eleições a prioridade é ficar no estado, mas havendo convites estou disposto e viajarei sim.
Tereza Amaral: Além de Chefe Indígena o senhor é uma das lideranças da Grande Assembléia dos Povos Indígenas Kaiowá e Guarani do Mato Grosso do Sul. A sua candidatura teve o aval da Aty Guasu?
Cacique Ládio Veron: Teve sim porque todas as decisões do nosso povo passam necessariamente pela Aty Guasu. A forma própria de organização com seus saberes e jeito de ser e sobreviver.
Tereza Amaral: O que representa a sua candidatura para os líderes espirituais (xamãs)?
Cacique Ládio Veron: Uma missão. Os lideres espirituais acreditam que se sobrevivi à tortura, a humilhação de ser arrancado da minha terra indígena e fui jogado na beira de rodovia junto com meu povo é porque tenho uma missão a cumprir.  É assim que as nossas lideranças vêem a nossa candidatura.
Tereza Amaral: Por que optou pelo PSOL?
Cacique Ládio Veron:O Partido Socialismo e Liberdade tem em seu estatuto  objetivos que defendem solidariedade às lutas dos trabalhadores  com vistas a construção de uma sociedade justa, igualitária. E inclue as lutas das minorias, nações e povos oprimidos.
Tereza Amaral: Para finalizar, qual a mensagem o senhor deixa para o eleitorado?
Cacique Ládio Veron: O nosso voto demarcará a vontade de transformar a sociedade, acabar com a opressão que nós – povos da terra – sofremos e, sobretudo, nas últimas décadas. É hora de indígena representar indígena. Chegou o momento da nossa autonomia, de rompermos com essa velha política proposta há anos. É hora das minorias se unirem no enfretamento da mão que legisla em interesses próprios e segregadores.

PROGRAMA POLÍTICO DO CANDIDATO A DEPUTADO FEDERAL CACIQUE LÁDIO VERON – PSOL – 5000
As propostas aqui presentes brotam da terra, dos anseios pela terra e clamam por condições sustentáveis para nela viver. Este ano nossas flechas terão como alvo as urnas. Mas o nosso voto não será somente para eleger um representante indígena. O nosso voto demarcará a vontade de transformar a sociedade,  acabar com a opressão que nós – povos da terra – sofremos e, sobretudo, nas últimas décadas.
É hora de indígena representar indígena. Chegou o momento da nossa autonomia, de rompermos com essa velha política proposta há anos. E só com a nossa união poderemos fazer com que os gritos de nossos guerreiros se transforme no Eco da Dignidade do belo mosaico indígena brasileiro.
A maioria dos deputados federais que está na Câmara de Deputados defende os interesses do atual modelo neodesenvolvimentista brasileiro sustentado pelo agronegócio. A bancada ruralista negligencia os direitos dos povos indígenas, quilombolas e camponeses. Devemos retomar nossos direitos e para isto vamos demarcar nosso voto!

O NOSSO PROGRAMA POLÍTICO INCLUI AS SEGUINTES PROPOSTAS EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS:
.Garantia dos direitos relacionados aos povos da terra
. Lutar pela criação de políticas que ampliem as garantias de direitos para todos os povos indígenas, quilombolas e camponeses, assim como para os movimentos sociais que lutam pelos seus direitos, apoiando estes em suas reivindicações
.Posicionamento contrário à PEC 215 que transfere do Executivo para o Congresso Nacional a atribuição no processo demarcatório, bem como defender a garantia do direito à terra para quem dela vive
. Atuar na defesa dos direitos previstos na Convenções° 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre os povos indígenas e tribais
. Fiscalizar a atuação das instituições do Estado responsáveis pela efetivação dos direitos dos povos indígenas, quilombolas e camponeses, aliada à fiscalização da efetivação dos direitos dos trabalhadores(as)
.Elaborar Projetos de Lei que visem o fornecimento de luz elétrica, água potável e saneamento básico para as áreas indígenas, quilombolas e camponesas
.O acesso das famílias aos benefícios sociais que são seus direitos
.No setor de Segurança vamos lutar para que, através de um novo modelo de segurança indígena, as violências sofridas pelos povos originários acabem. Este modelo repressivo na solução dos conflitos nas áreas de retomada e acampamentos camponeses deve acabar
.Efetiva atuação da Força Nacional no que diz respeito à segurança dos indígenas nas áreas de retomada, assim como uma formação humanizada dos(as) trabalhadores(as) e efetivação de seus direitos
.Buscar a democratização das instituições e formas mais efetivas de combate à violência, lutando pela desmilitarização das polícias
.Construir e pressionar para a implantação de políticas específicas para segurança dos povos indígenas

CRIANÇAS, ADOLESCENTES E JOVENS
.Buscar o amadurecimento/fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente que não leva em conta a diversidade étnico racial, assim como as diversidades antropológicas, culturais e espaciais das crianças, jovens e adolescentes indígenas
.Enfrentar a criminalização da juventude indígena e sua cultura
.Denunciar e atuar para o fim do trabalho infantil, escravo e análogo ao escravo no campo e cidade
.Lutar pela erradicação das mortes por desnutrição e falta de atendimento de saúde das crianças indígenas

EDUCAÇÃO 
.Inclusão de profissionais da educação professores(as), coordenadores(as)s e diretores(as) de escolas que sejam indígenas, respeitando assim a diversidade étnico racial no convívio/troca escolar
.Educação básica de qualidade que tenha como princípios a educação como prática libertadora sem esquecer as diversidades étnicos raciais dos povos indígenas
.Lutar pela ampliação de escolas indígenas nas terras indígenas, garantindo alimentação, transporte, saúde, segurança e material escolar para todos
.Apoiar o desenvolvimento de materiais didáticos e práticas pedagógicas na língua materna dos povos indígenas
.Os agentes da Assistência Social serão solicitados para acompanhar mais de perto nossas crianças, incentivando e ajudando a garantir a frequência e aproveitamento na escola. bem como o acesso das famílias aos benefícios sociais que lhes são de direito
.Garantir a frequência de alunos e o aproveitamento na escola

SAÚDE
.Defender melhores condições de trabalho dos agentes de saúde, visando a melhoria no atendimento às família nas aldeias _ Atualizada por Amazônia Legal em Foco
.Postos de saúde pública (SUS) acessíveis à comunidade indígena
.Buscar a suspensão das atividades de empresas mineradoras em terras indígenas que afetam a saúde da população que mora ao redor
.Lutar por atendimento de saúde nas terras indígenas de difícil acesso, assim como o fornecimento gratuito e necessário de medicamentos

.Construir coletivamente políticas que visem a proibição do uso de agrotóxicos.

Precisamos de soberania alimentar!

JUSTIÇA
.Lutar/Fiscalizar os processos de demarcação de terras indígenas, titulação de áreas quilombolas e  assentamentos baseados na reforma agrária popular
.Justiça a todas as vítimas de violências por parte de latifundiários
.Combater a corrupção dentro do sistema judiciário nos conflitos de terras

TRABALHO
.Atuar na criação de concursos públicos específicos para indígenas nas instituições que representam os povos indígenas
.Lutar pela autonomia dos professores indígenas nas questões relacionadas à educação indígena. Buscar emancipação dos povos indígenas na escolha dos professores, coordenadores e diretores das escolas indígenas
.Abertura de concurso público para professores indígenas
.Posicionamento contrário a terceirização do serviço público e em defesa da valorização dos(as) trabalhadores(as)
.Pela realização de concursos públicos específicos para profissionais indígenas para a ocupação na Assembleia Legislativa e no governo estadual
.Apoiar a luta dos(as) trabalhadores(as) indígenas, quilombolas e camponeses por empregos com condições, salários e horas trabalhadas dignas
.Pelo fim do trabalho escravo rural

MEIO AMBIENTE
.Lutar pela proibição da aplicação de agrotóxicos em áreas indígenas, quilombolas e camponesas
.Fortalecer as iniciativas da sociedade civil contrárias ao uso de agrotóxicos que contamina as águas, os solos, animais e humanos
.Apoiar a luta dos movimentos sociais que lutam pela Reforma Agrária Popular e contra o agronegócio
.Pelo fim dos incentivos fiscais às empresas do agronegócio
.Lutar pela demarcação dos territórios tradicionais
.Fiscalizar os licenciamentos ambientais, autorização para desmatamento e construção novas empresas do agronegócio
.Propor uma elaboração coletiva de um Plano Estadual contra o uso dos agrotóxicos

CACIQUE LÁDIO VERON

Resumo de proposta disponível em: http://youtu.be/gsNZD13JBwU