30 de abril de 2013

Desarquivando: Escravidão Indígena e Assassinatos na Ditadura

Uma criança indígena de apenas 11 anos foi levada de uma tribo, em Mato Grosso, para servir de escrava da mulher de um servidor do extinto SPI (Serviço de Proteção ao Índio). Na primeira década da ditadura, em 60, indígenas adultos e crianças eram vendidos por funcionários públicos que tinham como missão protegê-los.
Leia matéria sob manchete de página ' Comissão da Verdade vai apurar assassinatos de índios durante a ditadura' na F. de São Paulo!

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/04/1270892-comissao-da-verdade-vai-apurar-assassinatos-de-indios-durante-a-ditadura.shtml 
Foto ILUSTRAÇÃO _ Pedro Hiraoka


  
 

Uma 'Líndia' Guerreira

 
Na linha de sucessão do cacique Raoni, símbolo em defesa da Amazônia no mundo, existe uma mulher. Trata-se da sua neta Mayalú Txucarramãe, filha do sucessor imediato cacique Megaron.
A jovem Mayalú, 25 anos, é das etnias Kayapó Mebemgogrê e Waurá, ambas do Alto Xingu.
Muito embora domine as novas tecnologias, a jovem guerreira defende ativamente a tradição dos ancestrais. E é a idealizadora do Movimento dos Jovens Mebengogrê Nye que reúne moças e
rapazes indígenas entre 15 a 25 anos.
 
Leia entrevista ping-pong feita por e-mail!

P – O que motivou a criação desse movimento e qual o objetivo?
O Movimento Jovem foi uma ideia que eu tive logo após a exoneração do meu pai. O meu avô Raoni é um guerreiro incansável, mas, pela primeira vez, eu vi e senti que essa situação tinha abalado eles. Fomos pegos de surpresa. Eles fizeram protestos e acabaram voltando para a aldeia, acreditando nas promessas do governo e da FUNAI. Na cidade, tudo me parecia estar fora do eixo, eu estava quase desistindo de tudo; sinceramente, pela primeira vez, eu estava com muito medo de como seria o nosso futuro com aquela situação toda.
Foi então que comecei a pensar em fazer algo para ajudar e orgulhar meu pai e meu avô. Refleti que o povo do meu avô, por quem ele tanto lutou, não podia acabar assim e conversei muito com meus irmãos Kena, Atamai, Bepkoti, meus primos Patxon e o Roiti, filho do cacique Bedjai. A partir dessa conversa, fomos repassando a ideia adiante e pedi permissão e apoio a meu meu pai e avô Raoni. Eles me deram o total apoio, foi então que fizemos a primeira reunião para escolhermos o nome do grupo e qual seria o objetivo do nosso grupo. Foi assim que surgiu o Movimento Mebengokre Nyree; nos unimos com um só objetivo: o de dar continuidade à luta dos nossos pais, avôs e dos antepassados com essas novas ferramentas do mundo, cada vez mais modernas.
 
P – Quais os benefícios você espera se considerando, sobretudo, o momento nebuloso da política indigenista no Brasil?
 
R – Eu espero só que respeitem os nossos direitos e que, pelo amor de tudo que há de sagrado, esse governo nos enxergue, mas nos enxergue do jeito que somos e procure nos ajudar de verdade.
 
P – Quantas etnias e quais estão participando?
 
R – Por enquanto são 2 etnias participantes, que são Kayapó e Juruna. Há também os não indígenas que trabalham no Instituto Raoni, além de nossos colegas que aprenderam a nos conhecer e respeitar a nossa cultura e que fazem questão de nos acompanhar.
 
P– Existe uma sede?
 
R– Não existe sede e eu, particularmente, não quero que tenha sede, pois temos o Instituto Raoni que nos dá plena liberdade de usarmos o espaço para fazermos nossosencontros. Para mim não importa o lugar onde nos encontraremos, o importante é estarmos juntos, sempre. Outra coisa importante é fortalecer o Instituto Raoni, pois é através dele que trabalharemos para garantir nossos direitos.
 
P – Como é ser jovem e ter o peso da responsabilidade de, no futuro, conduzir seu povo, já que o filho de Raoni faleceu?
 
R– Conduzir eu acho que é uma palavra muito forte, prefiro usar a palavra ajudar. Só quero ajudar o meu povo, até onde eles quiserem. E essa pergunta é difícil responder, pois isso não depende de mim, mas deles.
 
P– Estamos vivenciando o advento das redes sociais, onde há uma vitrinização dos problemas, como  é o caso dos Guarani-Kaiowá, onde a população chegou perto. Como você vê isso?
 
R–  Eu vejo que a maior parte da população não sabe nada de índio. Todos nós índios enfrentamos os mesmos problemas, mas o que acho que acontece é que todos esqueceram como é ser justo e solidário, isso tudo por causa do consumismo. E todos fecham os olhos para fingir que nada acontece, mas nós estamos aprendendo a usar a internet para chamar atenção das pessoas e assim, algum dia, alguém vai nos ouvir, como aconteceu com os parentes Guarani-Kaiowá. Foi um trabalho em conjunto, onde todos se mobilizaram para ajudar.
 
P– Mudando para a esfera familiar. Como é o Raoni avô?
 
R– Bom, como meus pais são de etnias diferentes, eu não tive a oportunidade de conviver com o avô Raoni na infância. Eu estive mais na cidade por conta do trabalho do meu pai, pelos meus estudos e em férias escolares na aldeia da minha mãe. E tive um avô que é materno, muito maravilhoso, fora do comum também. Mas, hoje, com um contato maior com o grande Raoni, vejo que ele tem o mesmo jeito desse avô materno. E ele é o Raoni, né? Vejo ele com os netinhos, muito carinhoso, e não mede esforço nenhum para ajudar. Ele é sensacional.
 
P– Uma curiosidade que acho ser de todos. Transitando nos dois mundos, entre metrópoles e a aldeias, como você se localiza em relação a isso?
 
R–Antes eu me sentia muito confusa. Agora não… sei bem o que quero e sei o que sou, mas sou humana e muitas vezes me ocorrem dúvidas e aflições.
 
P– Quantos irmãos você tem e como é a relação de vocês com o cacique Megaron?
 
R– No total somos em 9 irmãos e temos uma relação boa. Mas tenho 4 irmãos que são de mãe e pai, como eu, e esses quatro crescemos juntos perto dele, uma relação maravilhosa de carinho e atenção, claro que com alguns problemas que qualquer família já teve.
 
P – E sobre relacionamentos. Vocês podem namorar com rapazes não indígenas?
 
R– O nosso povo não aceita.
*Esta entrevista foi feita para uma fanpage de minha propriedade 

29 de abril de 2013

Encontrados restos mortais do garotinho Guarani Gabriel de Quadros

A polícia encontrou nesta segunda-feira restos mortais da criança, 3 anos, desaparecida desde o último dia 14 da aldeia Guarani, em Chopinzinho.
Muito possivelmente Gabriel sofreu abuso sexual antes de ser assassinado.  Leia matéria em O Diário do Sudoeste!
http://diariodosudoeste.com.br/noticias/seguranca/26,24026,29,04,encontrados-restos-mortais-de-indigena-que-estava-desaparecido-em-chopinzinho.shtml 
Foto _ Adenir Brocco/ detalhe reprodução do Blog Combate ao Racismo
 Ambiental

Xavante de Marãiatsédé reafirma mortes de três crianças


O secretário de Saúde de Alto Boa Vista (MT),  Juraci Rezende Alves, teve a inadequação em desafiar, no último dia 25, qualquer cidadão a mostrar os corpos dos jovens Xavante. “As crianças que morreram são, inclusive, netas do cacique Damião Paradzane. Nossas crianças estão morrendo há anos”, afirma padre Aquilino Xavante. Leia matéria de Renata Santana (Cimi)!
 
Foto _ Cimi

Política indígena brasileira vive momento perigoso, diz antropóloga da UFRJ

A avaliação é da antropóloga Elsja Lagrou, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que adverte para uma perda de direitos históricos, duramente conquistados pelos índios nas últimas décadas. Lea na íntegra matéria do Correio Brasiliense!http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2013/04/29/interna_brasil,363153/politica-indigena-brasileira-vive-momento-perigoso-diz-antropologa-da-ufrj.shtml
 

Foto _ Jornal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Bebê Indígena com Leucemia espera há dias por vaga em Dourados ou Campo Grande

Leia matéria no site Midiamax News! http://migre.me/ejI1y

Foto Ilustração _ Blog Reginaldo Tracajá

Bebê indígena com Leucemia espera há dias por vaga em Dourados ou Campo Grande

    Leia matéria do Midiamax News!http://migre.me/ejIE8
Foto Ilustração _ Reginaldo Tracajá

28 de abril de 2013

Guarani-Kaiowá : Suicídio

Foto compartilhada/ Heitor Karai Awá-Ruvixá 
Por Tereza Amaral
Suicídios, tentativas e as recidivas entre os Guarani têm despertado o interesse de pesquisadores e estudiosos de diferentes áreas. Em aldeias do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os pesquisadores Sonia Grubits, Heloisa Bruna Grubits Freire e José Angel Vera Noriega (Scielo*) observaram  e acompanharam problemas enfrentados  pelos indígenas. Eles levantaram questionamentos sobre o que motiva direta ou indiretamente à autodestruição.   

                                         
Em apenas  oito anos  410 Guarani/Kaiowál tiraram a própria vida (2000 a 2008/Funasa), sendo o enforcamento o método mais utilizado (MS). Já as tentativas  não foram registradas. O estado é o segundo do Brasil em número nos censos de populações indígenas , totalizando 63.963 índios. A maioria dos suicidas ocorre em homens, muito embora o percentual em mulheres já se aproxima. E são registrados nas faixas etárias abaixo de 29 anos. Duas mortes de crianças foram registradas (5 a 9 anos).
O grupo enfrenta problemas de disputa de terras enquanto aguarda a  demarcação.  As dificuldades na tomada de decisão  são devido ao tempo da ocupação da terra por não índios  sem propriedades, mas com certificação de mais de duas gerações da mesma família. Entretanto. estudos arqueológicos e antropológicos revelam que nesse mesmo espaço havia indígenas.
A proximidade com a sociedade capitalista e  delimitação territorial das reservas resultaram no abandono da vida nômade. Houve, com isso,  impedimento do deslocamento dos grupos. A poluição do meio ambiente onde estão localizados,  imposição de novas religiões -  desorganizando-os social e culturalmente - são alguns dos motivos que os empurra para o abismo do alcoolismo e  prostituição.  
Suicídio
Os casos notificados entre os Guarani/Kaiowá ocorrem no período da adolescência. Os pesquisadores recorreram a inúmeros autores na tentativa de ‘diagnosticar’ o suicídio e chegaram a uma conclusão: "podemos afirmar que as conclusões de Cassorla (1981, 1991), Castellan (1991), Durkheim (1977), Erickson (1987) e Mioto (1994) são pertinentes à situação dos Guarani-Kaiowá, tendo em vista as suas vivências, desde os primeiros anos de vida, de situações ou de relatos de suicídios e o seu contexto social e cultural".
O feitiço, encontrado em todos grupos brasileiros, também é abordado. “Nos estudos de campo realizados por Brand (1997) com os Guarani/Kaiowá eles colocam que os suicídios são provocados pela força de práticas de feitiço”. Mas indígenas e pesquisadores consideram mesmo que desajustes ou mesmo doença são as causas , haja visto relatos falam “de tristeza, de nervoso, de não se conseguir expressar o que se tem ou o que se sente”.
Casos de cura foram atribuídos  por todos os entrevistados  à terapia com danças e cantos, feita no núcleo familiar, sob orientação de líderes religiosos. Ele dizem que vivenciaram " o taruju com fases de variada intensidade da doença, com dias normais seguidos por fases obscuras.”
Os pesquisadores acreditam que o despreparo dos funcionários do governo para lidar com os indígenas, “a exemplo dos funcionários federais que desenvolveram estratégias de apoio aos elementos indígenas mais desestruturados e menos integrados a cultura e a comunidade Guarani/Kaiowá, objetivando desarticular lideranças e quebrar sua autonomia interna”, além do uso do índio como mão de obra disponível e barata,  a presença de cerca de 20 igrejas pentecostais e  o arrendamento da terra introduzido pelos órgãos indigenistas  no passado são fatores desencadeantes.
Também mencionam a visão de mundo - de vida e morte - de acordo com a cosmologia Guarani/Kaiowá. “É muito complexa para o entendimento; de modo geral a própria concepção de educação, de formação da personalidade infantil, de acordo com a cultura tradicional não segue padrões mais comuns da sociedade nacional, interferindo no processo de construção da identidade dos grupos”.
* Artigo na íntegra 

Grafismo Indígena Asurini do Xingu

‘Estamos indignados com o governo brasileiro’, diz Povo Munduruku em carta














Leia na íntegra no site do Cimi!

Foto _ Cimi

Kaigang: 'Na Borda do Copo' do Alcoolismo

Por Tereza Amaral

Com uma população  de 20 mil habitantes (estimativa 2011) jovens Kaingang  estão sendo vitimados pelo alcoolismo e suicídio. Distribuídos pelos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, eles vivem em Terras Indígenas e Aldeias Urbanas, estas ainda em processo de demarcação. Trata-se de uma das mais populosas etnias brasileiras e com os Xokleng (SC) constituem o chamado tronco linguístico Jê Meridional ou Jê do Sul.

Segundo estudo do pesquisador Paulo Caldas Ribeiro Ramon (CNPq/MDS), no período de 2001 a 2006 foram realizadas conferências sobre alcoolismo nas  comunidades e, dentre as estratégias, foi decidido desde o aconselhamento, privação da liberdade, consentimentos e até expulsões no enfrentamento da situação pelas lideranças. Algumas escolas indígenas têm realizado um trabalho preventivo  dialogando sobre a questão. Na opinião do pesquisador, são “incipientes diante da gravidade do problema”.  

Repetição Histórica

Com ajuda de antropólogos, o pesquisador foi mais a fundo para entender o problema.  A presença dos índios  no Vale do Ivaí está relacionada com a expansão das fazendas de gado nos Campos Gerais e na região de Guarapuava (desde o início do século XIX ), tendo sido forçada a migração.
Os indígenas sofreram pressão das populações não indígenas chegadas neste período para ocupação do mesmo território.
Através da Lei nº 853/1909, o governo do Paraná , à época, decretou que as terras à margem direita do rio Ivaí eram dos Kaigang. Estudiosos acreditam que o governo republicano pensava em agrupá-los com vistas à “catequizá-los” e “civilizá-los”. A partir de 1912. diferentes regiões do Paraná passaram a receber colonizadores alemães, poloneses e ucranianos que fundaram colônias ou núcleos de povoação.
Além destes, os territórios foram sendo ocupados por populações não indígenas da região de Guarapuava. Muitos foram os conflitos provenientes neste processo e pelo fato do governo do Paraná ter destinado terras sem regulamentação. Houve lutas e disputas.
Exemplo disso é o “sangrento episódio da guerra de Pitanga envolvendo os Kaigang e outras populações da região”. Um outro decreto subtraiu terras e, em 1949 , o governo do estado firmou com a União um acordo diminuindo consideravelmente as extensões da grande maioria das áreas indígenas  em benefício de fazendeiros, colonos e imigrantes que haviam já se apropriado das terras.
E sob a justificativa de “reestruturação” das áreas indígenas, esse acordo expropriou cerca de 90% dos territórios demarcados em decretos anteriores, tendo todos sido revogados e as terras indígenas sofreram  grande redução nas suas extensões. 
Mais adiante, com o “projeto de desenvolvimento” da expansão das fazendas de café - promoveram a devastação da fauna e flora - foram obrigados a residir nos Postos Indígenas demarcados pelo estado e foi delegado ao extinto SPI – Serviço de Proteção ao Índio - poder em administrar os conflitos e atender aos inúmeros problemas surgidos entre fazendeiros, políticos locais e os índios.
Nos períodos seguintes chegaram novos imigrantes poloneses, italianos, alemães, ucranianos, libaneses, além de brasileiros paulistas, mineiros, nordestinos, gaúchos, catarinenses em detrimento da propaganda atrativa para o mercado do café.
E isso colocou fim à mobilidade das populações.. Tradicionalmente os indígenas que habitam o Estado do Paraná (Guarani, Kaigang e Xetá ) viviam em grandes extensões de terra. E a forma de organização era propícia para o manejo ecológico do território, acesso a alimentação proveniente da caça, pesca e coleta - mel, frutas, pinhões, raízes, plantas, dentre outros - , isso sem fala que com identificação, prevenção e controle de doenças.
De acordo com o pesquisador, o processo violento de usurpação e venda das terras na região levou ao aldeamento destas populações em pequenas extensões de terras," aglomerando um grande número de pessoas em uma mesma aldeia sem infra-estrutura e em confronto com a organização sociocultural indígena. Isso resultou no sedentarismo, na dependência, assistencialismo governamental, falta de perspectivas e alternativas dignas de vida, desesperança, e a introdução de bebidas alcoólicas, em muitos casos, inclusive, incentivada pelo poder público para acalmar" .
A história se repete em várias etnias brasileiras, dentre elas os Guarani-Kaiowá. Considerado como um dos mais graves problemas de saúde pública do país, o alcoolismo acomete grande parte das populações indígenas em todo o estado do Paraná, sobretudo jovens cujas alternativas de vida são pouco promissoras. E com ele ocorrem os suicídios

Adolescente alcoolizado em Feijó (AC)
Foto _ site Feijó Notícias
Indígenas alcoolizados na rodovia MS 289
Guarani-Kaiowá na Praça Amabaí  Foto _ A Gazeta News

Saiba mais sobre os povos Kaikang! http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaingang



27 de abril de 2013

Falsos pajés e brancos aproveitadores comprometem as culturas ancestrais

O alerta é do jovem indígena Tuwe Inu Bake (Foto) da etnia Huni Kuin,  Acre. Ler matéria do site Conexão Natural!


Governo se recusa a ir à aldeia Sai Cinza reunir com os Munduruku

Leia matéria no Blog de Telma Monteiro!
http://telmadmonteiro.blogspot.com.br/
Aldeia Sai Cinza por Wilmar Santin

“Wuygeycug”. Tristeza é o sentimento do povo Munduruku que resiste à construção de barragens na Bacia do Tapajós

Veja material do Greenpeace!
Índios Munduruku marcharam hoje em Jacareacanga (PA) em protesto contra planos do governo de construir hidrelétricas na bacia do Tapajós. Governo usa a Força Nacional para viabilizar estudos para barragens, enquanto lideranças indígenas são ignoradas. Saiba mais:http://bit.ly/ZTMKta
Foto _ Greenpeace

STF dá prazo de 72 horas para Câmara se manifestar sobre PEC


Ministro Antônio Dias Toffoli (Foto), relator do mandado de segurança que pede a suspensão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que submete decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) à avaliação do Congresso, deu um prazo de 72 horas para que a Câmara dos Deputados se manifeste sobre a proposta do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), aprovada nesta semana pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Leia sobre!
Foto _ O Globo

O Devir Anti-democrático

Por Tereza Amaral


Na história recente da democracia do Brasil nunca havíamos assistido a uma mobilização de indígenas  solicitando o que possuem legitimados pela Constituição Federal. (ver link http://www.dji.com.br/constituicao_federal/cf231a232.htm
E também nunca assistimos em um governo democrático tantos abusos, omissões, desrespeito e alianças com o maior inimigo dos povos originários: O agronegócio e aliados. Em uma única bordoada, os ruralistas e evangélicos assumiram duas comissões que estão diretamente ligadas à população indígena: Comissão de Direitos Humanos na Câmara Federal e de Meio Ambiente no Senado.
Mas os problemas não param por aí. O maior defensor do índio é o Ministério Público Federal que vem atuando, conforme rege a Carta Magna, em casos de violações de territórios,  demarcações, construção de barragens sem oitivas – os indígena têm que ser ouvidos – genocídio e outros absurdos que estampam o governo Dilma em redes sociais, ONGs e veículos midiáticos internacionais.
O que temos visto é uma cascata de violações. Contra o Ministério Público Federal (MPF)  uma proposta indecorosa em limitar o seu poder de investigação com a PEC 37 ( http://www.mp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=4889
Como senão bastasse, o nada 'nazareno' deputado petista Nazareno Fonteles é o dono da vez em propor um golpe: entrou com um projeto de lei que submete decisões do STF ao Congresso Nacional.
O texto do parlamentar do Piauí propõe que o Legislativo poderá vetar deliberações da Suprema Corte, ferindo a Tripartição dos Poderes ( ver link http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10678).
E ainda tem mais: as manobras contra todos que saem em defesa dos índios flecha, digo fecha, com proposta de instalação da CPI da Funai, o órgão oficialmente protetor do índio e que não pode acabar (
http://www.midiamax.com/noticias/848068-questao+indigena+201+deputados+assinaram+cpi+funai+diz+fpa.html)
Fica uma indagação: o que esse movimento tem a ver com indígenas? Ouro e outras inúmeras riquezas naturais. Nessa nova colonização 'Acordar é preciso...'




26 de abril de 2013

São Paulo Cria Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Minorias

Movimentos sociais e ativistas de diversos grupos realizaram na noite desta quinta-feira, na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, a primeira "audiência pública" da Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Minorias, que se propõem a ser um espaço para debater os temas "proibidos" pelo deputado federal Marco Feliciano. Em debate promovido pelos grupos Existe Amor em SP, Coletivo Pedra no Sapato e da organização não-governamental Conectas, o cartunista Laerte e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) protestaram contra a onda de "conservadorismo fundamentalista" crescente no Brasil e contra a "campanha difamatória" contra as minorias nas redes sociais, sobretudo contra os homossexuais
Foto: Ricardo Matsukawa / Terraimentos sociais e ativistas de diversos grupos realizaram na noite desta quinta-feira, na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, a primeira "audiência pública" da Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Minorias, que se propõem a ser um espaço para debater os temas "proibidos" pelo deputado federal Marco Feliciano. Em debate promovido pelos grupos Existe Amor em SP, Coletivo Pedra no Sapato e da organização não-governamental Conectas, o cartunista Laerte e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) protestaram contra a onda de "conservadorismo fundamentalista" crescente no Brasil e contra a "campanha difamatória" contra as minorias nas redes sociais, sobretudo contra os homossexuais
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra


Material compartilhado da indígena Ysane Kalapalo

público

Etnia Assurini

Após contato com a sociedade, na década de 70, esse povo sofreu drástica baixa populacional. Leia sobre os Asurini que possuem elaborado sistema de arte gráfica!
Assista ao vídeo sobre grafismo!

Foto _ Alice Kohler

CLAMOR: Sociedade civil se mobiliza em favor do povo Cinta Larga (Foto) e atende ao chamado do Ministério Público Federal (MPF), em Rondônia

Foi instituído o grupo 'Cinta Larga: Amigos em Movimento pelo Resgate' . Leia matéria do Instituto Humanitas Unisinos!
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/519634-em-rondonia-sociedade-civil-se-mobiliza-em-favor-do-povo-cinta-larga
Leia sobre a etnia!

http://pib.socioambiental.org/pt/povo/cinta-larga/420
Foto _ Jovem com arco-flecha e adornos à margem 
do Rio Roosevelt por Jesco Von Puttkamer, 1972/ pib

Em ação, MPF/MT requer identificação e demarcação de Terra Indígena Piripkura

Toda documentação já produzida revela que os Piripkura deslocam-se no interior de um território bem definido e os limites da terra atualmente ocupada correspondem apenas a uma parcela do antigo território tradicional. Leia matéria do MPF!

Foto _ Compartilhada de Rita Ambientalista

25 de abril de 2013

Desaparecimento de Criança Guarani Mobiliza Órgãos de Segurança no PR

 Desde o último dia 14 o pequeno Gabriel Tupã de Quadros, 3 anos, está desaparecido. Ele foi raptado por um homem em um veículo preto quando brincava com o irmão na BR-337, em Palmeirinha do Iguaçu, Chopinzinho. Leia matéria no Aqui Sudoeste On-line!
http://www.aquisudoeste.com.br/POLICIAL/desaparecimento_de_crianca_indigena_mobiliza_orgaos_de_seguranca,10392.html
Foto _ Combate ao Racismo Ambiental

À Presidente Dilma Rousseff

Por Tereza Amaral

Excelentíssima presidente Dilma Rousseff faço aqui uma indagação: Até quando os povos indígenas ficarão 'na palma da mão' do genocídio?
Lembre-se: A senhora não é apenas a Chefe do Executivo, mas funcionária pública legitimada por NÓS.  O 'pacote' de violência precisa ser desembrulhado...
Já não podemos apenas divulgar arbitrariedades, tais como: Manobras para usurpar TIs dos seus aliados no Congresso Nacional, mineração, querer limitar o poder do Ministério Público Federal, situação de miserabilidade dos Guarani-Kaiowá com assassinatos, garimpeiros ilegais armando indígenas e sucateamento do órgão que 
eles necessitam: Funai, dentre outras violências.
Vossa Excelência passe a mão - não esta metaforicamente que reporta ao sangue derramado pelos povos originários - na consciência e recorde o seu passado. Avance...
E antes de bater em sua mesa como fez após reunião com Antônia Melo sacramentando Belo Monte repense no que é ser uma verdadeira revolucionária.

Foto ILUSTRAÇÃO _ Renato Soares 


24 de abril de 2013

Conflito: Quatro índios Yanomami morreram e sete ficaram feridos

Conflito armado entre tribos deixa 4 índios Yanomami mortos em Roraima. O confronto com armas de fogo na fronteira com a Venezuela, envolvendo uma tribo recém contactada, ainda deixou sete feridos. Leia matéria da Folha de São Paulo!http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/04/1267728-conflito-armado-entre-tribos-deixa-4-indios-mortos-em-roraima.shtml
Dário Copenawa Yanomami
Foto _ Arquivo

Nota da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari



"O que mais nos surpreende é que se trata de um Governo legitimamente eleito pela grande parte dessas minorias, com um apoio maciço dos povos indígenas, e proveniente de um partido que na década de 80 tinha como bandeira as causas sociais. A própria Presidente do nosso país já sentiu na pele o poder repressor a todo custo, e hoje usa os mesmos métodos contra aqueles que querem ver seus direitos cumpridos".


Eis trecho da Nota da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (AM), divulgada ontem, com severas críticas à política indigenista do governo Dilma, em especial a precariedade da saúde e educação na TI Vale do Javari. Leia na íntegra!

“A Coordenação Geral da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari – UNIVAJA, organização indígena representativa dos povos Marubo, Mayuruna, Matis, Kanamari e Kulina, vem a público externar o apoio às mobilizações relacionadas à Programação do Abril indígena/2013 que vem ocorrendo na capital do País. Consideramos as mobilizações realizadas no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto a expressão de todos os povos indígenas do Brasil, que vêm sendo rechaçados continuamente em suas lutas pela sobrevivência, pelo reconhecimento, pela oportunidade de discutirem e serem ouvidos nos temas que lhes dizem respeito, pela opção de viverem no interior de suas terras conforme seus usos e costumes e, sobretudo, de fazerem com que seus direitos constitucionais sejam respeitados.

É evidente que nos últimos anos, e mais precisamente no Governo da Presidente Dilma Rousseff, os povos indígenas têm presenciado um retrocesso de suas conquistas de décadas, que consolidaram os artigos 231 e 232 na Constituição Federal do Brasil. Há uma mobilização, tanto dos setores econômicos e políticos quanto do próprio Executivo Federal, com o objetivo de aniquilar esses direitos no mais completo desrespeito a carta magna do país, em nome de um desenvolvimento econômico condicionado à exclusão das minorias, à destruição do meio ambiente, à imposição de suas vontades por meio militarista e à eliminação da plurietnicidade.

O País vive um período pelo qual seu Congresso é dominado por ruralistas e evangélicos e que juntos têm direcionado seus interesses escusos e opressores sobre uma pequena parte da sociedade brasileira. Hoje não somos nem 1 milhão de índios no Brasil, quando estudos citam que já fomos quase 6 milhões. Fazemos parte deste País, portanto, integrantes legítimos dessa mesma sociedade. O que queremos é simplesmente viver harmoniosamente num país que se diz pluriétnico, que se diz almejar ser uma potência mundial, que se diz se indignar com as atrocidades cometidas por déspotas mundo a fora, que se diz ser um dos respeitadores dos direitos humanos e protetor de suas florestas.

A atual política de governo nos lembra as atrocidades do período da ditadura militar, que para implementar seus projetos megalomaníacos como a transamazônica tiveram de exterminar índios usando a estrutura das forças armadas contra as minorias, como foi o caso do genocídio cometidos pelo Exército Brasileiro contra o povo Waimiri-Atroari. E, coincidentemente, nos deparamos com a regulamentação e o uso, mais uma vez, das forças armadas contra os povos indígenas, tendo como caso mais evidente dessa postura a Operação Militar na região povo Munduruku no rio Tapajós. Há o silêncio do Executivo Federal e a clara conivência na criação de novos mecanismos legais, que a cada dia são pensados e arquitetados nos bastidores do atual Governo e do Congresso Nacional, como: a Portaria 303 da AGU, PEC 215, PEC 2037, Decreto 7.957 e a Portaria Interministerial 419/11.

O que mais nos surpreende é que se trata de um Governo legitimamente eleito pela grande parte dessas minorias, com um apoio maciço dos povos indígenas, e proveniente de um partido que na década de 80 tinha como bandeira as causas sociais. A própria Presidente do nosso país já sentiu na pele o poder repressor a todo custo, e hoje usa os mesmos métodos contra aqueles que querem ver seus direitos cumpridos.

O sucateamento intencional e sistemático da FUNAI, e o seu enfraquecimento como instituição, demonstra o desprestígio desse órgão por parte do atual governo, bem como a ausência de uma política indigenista de Estado que garanta a proteção dos diretos indígenas no país. Das 3.000 mil vagas disponibilizadas pelo Governo Federal para compor o quadro de pessoal dessa instituição, pouco mais de 600 foram ocupadas, sendo que nos próximos anos a grande parte do seu quadro de funcionários devem se aposentar o que indica a clara intensão de extingui-lo. Dessa forma o Governo Federal não garante o cumprimento das leis indigenistas e a tendência é que estes fiquem a mercê de prefeitos e governadores antiindígenas, que preferem fazer suas próprias leis, geralmente como as que vêm sendo aplicadas em regiões como o sul da Bahia e o Mato Grosso do Sul, onde jagunços a mando de políticos e oligarcas caçam índios e usurpam as terras tradicionais desses.

A Política de Saúde Indígena continua sendo tratada de forma displicente e ineficaz, mesmo depois da criação da SESAI, que ainda não conseguiu deslanchar, apesar dos vultosos investimentos oficializados pelo Governo Federal. A autonomia do DSEIS continua sendo uma utopia, o que contribui com os atuais protestos Brasil a fora sobre uma atuação medíocre.

A Educação Indígena é uma Política de Governo relegada ao esquecimento, o que torna ainda mais os povos indígenas excluídos da opção de poderem se capacitar frente às exigências do mundo moderno. As escolas indígenas continuam sendo “miragens” nas aldeias, contribuindo para o aumento do êxodo de centenas de jovens para as cidades; gerando assim, problemas sociais nos municípios vizinho às Terras Indígenas.

Atalaia do Norte- 19 de abril de 2013

Jader Comapa Franco
Coordenador Executivo do UNIVAJA”

Foto indígena Marubo/reprodução de 'Guardiões De Atinis'
e sem crédito. Se alguém souber a autoria por favor nos avise!
























Marãiwatsédé: O Retorno dos Posseiros

Menos de três meses após o fim da ação de retirada dos não índios da Terra Indígena Marãiwatsédé, no norte de Mato Grosso, antigos posseiros estão retornando à área. terra tem 165 mil hectares e compreende parte dos territórios das cidades de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia. Leia matéria no site 247!

http://www.brasil247.com/pt/247/matogrosso247/99678/Posseiros-voltam-a-ocupar-terra-indígena-no-MT.htm  
Foto _ site 

Repercussão Internacional

Desarquivando Relatório Figueiredo

Leia matéria com manchete de página 'Evidências de um genocídio indígena no Brasil têm repercussão internacional'!
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/04/24/interna_politica,376334/evidencias-de-um-genocidio-indigena.shtml


Foto _ Don MacCullim

'O Pai Branco dos Índios'

Um dos maiores defensores dos indígenas brasileiros, o sertanista Orlando Villas Boas, está na 'Galeria de Gente que é Gente'. 
O humanista nos deixou um legado: Amor incondicional pelos povos originários. Leia biografia no site Rota Brasil Oeste! http://www.brasiloeste.com.br/2002/12/biografia-de-orlando-villas-bas/

E assista entrevista na TV Band onde ele preconizou sobre o interesse pela mineração quando disse: 
"As maiores reservas de urânio do mundo estão na terra dos Yanomami".

Fotos _ Acervo Família Villas Boas

Comitê Gestor de Terras Indígenas

Os ministérios da Justiça e do Meio Ambiente publicaram ontem, no Diário Oficial da União, a Portaria Interministerial n° 117, que institui o comitê gestor da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGati). Leia mais na Agência Brasil!
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-04-23/governo-cria-comite-gestor-de-terr
as-indigenas
Aperto de mão: Cacique Raoni e ministro da Justiça

23 de abril de 2013

Megaron: O Sucessor de Raoni


ENTREVISTA

Por Tereza Amaral

Como todo chefe de estado, o cacique Raoni também tem um porta-voz.  Trata-se do seu sobrinho, o cacique Megaron Metuktire, que é muito mais do que ‘o dono da voz’ do lendário chefe indígena.
Num olhar entre eles podemos visualizar além de duas lideranças... Eles se amam e igualmente amam seu povo! 

No início de dezembro Megaron, que é funcionário da Funai, foi apresentado em Paris em uma emissora francesa de televisão como o seu sucessor. “Ele que fica no meu lugar”, disse Raoni.
 Em entrevista via e-mail Megaron  diz estar pronto para continuar a luta em defesa da Amazônia e dos povos indígenas. Leia entrevista na íntegra:



P:  Assumir o lugar do seu tio Raoni, cuja idade já sinaliza para a necessidade de descanso,  significa o que para o senhor?

R: Que eu aprendi e estou pronto para continuar a luta pela preservação das florestas, dos rios, da terra indígena, uma luta que não é fácil, mas estou pronto para isso.

P: Na cultura dos brancos quando um chefe se aposenta tem uma solenidade. Como funciona na cultura indígena? Haverá um cerimonial de despedida?

R: Vai acontecer um grande encontro/reunião das lideranças, onde meu tio vai se despedir e me indicar para sua sucessão.*

P:  Quando a ‘aposentadoria’ acontecer, de fato, Raoni continuará sendo o principal conselheiro?

R: Ele sempre será o meu conselheiro e do meu povo.

P: O senhor irá continuar na Funai?

R: Eu vou continuar na Funai até eu me aposentar.

P:  Ainda criança o senhor foi orientado também pelos irmãos Villas Boas. Qual deles o orientou a abraçar a causa indígena e com que idade?

R: Eu morei e trabalhei mais com o Orlando, desde os 14 anos, quando eu disse que precisávamos preservar a nossa cultura para defender nossas terras. Eu lembro que ele nunca deixava eu cortar o meu cabelo, pois cabelo comprido é do Mebengokrê.

P:  Em dezembro passado vocês fizeram uma turnê pela França, Holanda e Suíça, tendo, em Genebra, participado de uma conferência na sede da ONU. Qual o principal assunto em pauta?

R: Preservação das florestas, dos rios e dos povos indígenas, onde pedimos respeito.

P: O que vocês conseguiram de avanços no meio internacional, mais especificamente na ONU e do governo francês?

R: Acho que a ONU e o Governo Francês, pelo menos foi o que nos demonstrou lá,  entenderam que nós indígenas temos o direito de viver em nossas terras preservadas, sem ameaças de destruição.

P:  O senhor acredita ainda que Belo Monte pode paralisar?

R: Se tivéssemos apoio de todos e principalmente aqueles que estão lá perto, eu acredito que Belo Monte pare. Se todos os indígenas entendessem mesmo que isso é uma ameaça para o meio ambiente e para nós indígenas, todos estariam unidos contra a construção.

P: Qual a expectativa em relação à política indigenista de Dilma em
2013?

R: Eu espero que a Dilma mantenha o órgão oficial brasileiro - que é a Funai - para defender o direito do índio, o direito de demarcar e preservar as terras e a cultura do índio porque a Funai para os índios é muito, muito importante.

P: Para finalizar, como é o cacique Raoni na intimidade familiar?
 
R: Ele é normal como qualquer outra pessoa que preserva os laços familiares, um pai, tio e avô protetor e amável.

* A data da sucessão não foi anunciada

Megaron Txucarramãe.

Foto _ Compartilhada Orgulho de ser Indígena